domingo, 30 de maio de 2010

Mais “Acesa” do que nunca, Alcione lança seu novo álbum


Em cd e dvd a cantora com o timbre mais inconfundível e marcante da música popular brasileira, especificamente do samba, lança pelo Brasil todo seu 34º álbum, “Acesa”, que veio para incendiar o público, com muito romance e molejo maranhense.

Nos dias 25 e 26 de maio Marrom escolheu o imponente e lindo Teatro Bradesco para lançar seu álbum em São Paulo e sacudiu o público com um repertório eclético, bem como músicas da roqueira Rita Lee, que Alcione revela que cantava enquanto tomava banho, assim como músicas de Angela Maria. Composições de seu grande amigo Arlindo Cruz também não ficam de fora, e o show ainda traz sambas de sua terra, o lindo Maranhão.

Marrom traz boa parte de sua família na banda que faz um bom samba no palco e relembra músicas que caíram no gosto do público que sempre as pede, como Estranha Loucura, A Loba e outras que fazem todo mundo cantar.

A voz de Alcione é incomparável e sem dúvidas uma das que mais retratam o Brasil e seu samba. Marrom recebeu Wilson Simoninha no palco, que também canta com ela no álbum a música Chutando o balde, de Nei Lopes. Na gravação do dvd, no Maranhão, Marrom recebeu também o Grupo Revelação.

Este foi um show elegante e musicalmente clássico, até Louis Armstrong foi relembrado pela sambista, quando ela intercalou o sopro de seu trompete a sua imponente voz. Alcione continua sua turnê pelo Brasil e vale conferir o show.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Fabiana Karla é "Gorda", no Procópio Ferreira


Após apresentar a peça “Gorda”, de Neil Labute, no Rio de Janeiro, Fabiana Karla fica até junho em cartaz em São Paulo com o espetáculo, no Teatro Procópio Ferreira. Quatro atores retratam no palco o discurso do preconceito contra os gordos, com um cenário móvel e figurino elegante.

Porém é o pouco que se tem a dizer de positivo apresentado pela peça, o tema é positivo, é importante se discutir o preconceito, sim. É importante. Porém não é interessante um texto óbvio, sem nenhum clímax, uma comédia ou um drama? Fica difícil distinguir, porém mais me lembrou um drama, pois as pitadas de comédia são poucas e ligeiramente engraçadas, nada que possamos sair contando para outras pessoas por aí. O sucesso de público não sei se é tão sucesso assim, pelo menos não vi o teatro lotado, nem cheio. Ocupavam-se as primeiras fileiras do Procópio Ferreira, que é grande, mas já o vi muito mais cheio. Acredito que o que mais atraí o público a assistir “Gorda” seja o sucesso da atriz Fabiana Karla no programa Zorra Total, da TV Globo e mesmo assim sua desenvoltura na peça é frigida, é mecânica e de inteira artificialidade, os movimentos de Fabiana são muito ligados aos ensaios, certamente, os olhares parecem preocupados com aquilo que está se fazendo, os outros atores até conseguem se sair melhor.

Fabiana Karla interpreta Helena, que se apaixona por um executivo, Tony, por Michel Bercovitch, que tem vergonha da moça, a qual também se apaixona, por ser gorda e pelo receio de apresentá-la aos amigos cria uma série de atritos emocionais. Flávia Rubin e Mohamed Harfouch completam o elenco como também dois personagens preconceituosos, ligados às imposições estéticas da sociedade. Algo me impressionou sim, ao fim da peça, que as vezes parece não ter fim, Helena e Tony choram ao se separarem, e essa foi a única coisa natural que vi na interpretação da peça. E mesmo quando fazem os agradecimentos ao público as lágrimas ainda permanecem nos olhos.

Traduzir um texto americano é muito arriscado, Neil Labute pode até ter sido bem falado por jornais, por críticos, por outras pessoas em lugares onde a peça foi apresentada, mas acho que não passam de textos frios também, apenas informativos, sem percepção artística daquilo que se assistiu qualquer um pode escrever qualquer coisa, sem fundamentos. Minha crítica é à interpretação e a encenação do texto, o diretor Daniel Veronese talvez não tenha trabalhado com mais dinamismo e clareza o equilíbrio da comédia e tragédia nos ensaios do texto, pois a graça perde para a tragédia, que é tão óbvia e sem solução. Que existe o preconceito, todos nós sabemos e vemos a todo instante, mas e... o que se pretendia com isso na peça não fica claro, nem existe. A altura do som acaba assustando alguns espectadores, no intervalo da troca de cena, por um cenário muito simpático, um som é inserido ao instante, porém descontroladamente, alto demais. A iluminação ainda me pareceu muito pouca, a praia nem me lembrava praia, de tão mórbida que ficou, a cena da lanchonete é cansativa, sem texto quase. Enfim, gosto muito do elenco, mas nenhum pouco do texto e da interpretação. Talvez fosse melhor não ter estendido o espetáculo para junho.

A peça “Gorda” está em cartaz no Teatro Procópio Ferreira, em São Paulo, na Rua Augusta, de sexta à domingo. Os ingressos podem ser comprados pela Ingresso Rápido, onde os preços vão de R$ 60,00 à R$ 70,00.

terça-feira, 18 de maio de 2010

“Meu amigo Charlie Brown”, mais um musical da Broadway no Brasil


O musical “Meu amigo Charlie Brown” estreou em 13 de março, em São Paulo, no Teatro Frei Caneca, baseado nas histórias em quadrinhos e tirinhas famosas de Charlie Brown e seu cãozinho Snoopy, criadas pelo desenhista Charles M. Schulz em 1950, preserva a característica dos personagens, dando a característica ao espetáculo como um desenho ao vivo.

Com adaptação brasileira e texto de Mariana Elisabetsky, que também interpreta Sally Brown, irmã de Charlie Brown, o musical aborda alguns temas não tão infantis, ou nenhum pouco infantis, com direção geral de Alonso Barros, as cenas ilustram os mesmos adereços dos retratados pelos lápis em quadrinhos, os atores são bem característicos e movimentam-se e falam como personagens de desenhos.

A cenografia de Chris Ayzner é bem colorida e versátil, onde os próprios atores movimentam as trocas de cenário, alterando todo o contexto da cena, fazendo como acontece com as passagens de atos em óperas. Os figurinos de Jô Resende relêem bem os vestidos de Sally e Lucy, e as camisetas listradas dos amigos Shoeder, Linus e Charlie. Toda a costura permite que passemos dos quadrinhos para a realidade sem que possamos notar, sabe-se que ali são atores reais, mas o figurino é um dos mais relevantes e, por mim aplaudidos, fatores para nem notar que ali não é um desenho animado. A iluminação de Paulo César Medeiros deve ser destacada aqui, pois toda a vivacidade de cores, posicionamento dos canhões de luz e direcionamento dos raios fazem com que a movimentação dos atores ganhe tempo, período, onde numa história infantil é fundamental situar o espectador sobre dia, tarde e noite, e climatizar os ambientes, bem como casa, campo de beisebol, pátio da escola.

A história é de Charlie Brown, interpretado por Leandro Luna, um menino de humor delicado, é melancólico, anda sempre com os ombros recaídos e os braços pendurados. Teme a ausência de amigos, e sente-se sempre rejeitado pelos outros, a não ser o seu grande amigo, o cachorro Snoopy, interpretado por Frederico Silveira. O dia do amigo é onde a turma de Charlie se reúne para trocar cartas, o jogo de beisebol e as brincadeiras. O texto traz uma homenagem ao compositor e pianista Beethoven, onde Schoeder, pelo ator Felipe Caczan, utiliza um piano cenográfico para soar à plateia as sinfonias tão famosas, porém é um tema que as crianças não conhecem, que fica vago entre eles, que são a maioria dentre o publico, mas o estimulo dos pais deve partir daí, em, quando chegar em casa, mostrar ao filho quem foi Beethoven, ou até o próprio irá assimilar isso em algum instante. Os arranjos são harmônicos, não houve deslize algum em tempo e melodia, a proximidade do Maestro Marconi Araújo, que fica no poço, em frente ao palco, enobrece o espetáculo e da autonomia às canções, permitindo mais realidade ao musical. O que mais encanta o público e que me chamou muito à atenção foram os recursos visuais, um telão que reflete um projetor é utilizado para ilustrar o manuseio de uma pipa, por Charlie Brown, que vai a empinando até que a pipa deixa de ser uma ilustração audiovisual e cai do alto para as mãos de alguém na plateia, como acontece nas cortadas de linhas.

A atriz Mariana Elisabetsky, que interpreta Sally, é sem dúvidas a maior pitada de humor do espetáculo, sua baixa estatura, porte, entonação vocal e imposição artística dão a ela um forte destaque no musical. Mas quando falamos de voz, Fred Silveira, o Snoopy, me fez realmente acreditar que eu estava num belo e bem produzido espetáculo da Broadway, além de Lino, personagem de Thiago Machado, que vive com um paninho e é sempre espezinhado por isso, também tem uma ótima postura vocal ante as canções. Paula Capovilla, que interpreta Lucy Van Pelt, a menina de vestido azul, voz estridente e apaixonada por Shoeder, ocupa o papel irreverente do musical, fazendo comédia as paixonites na infância. A produção geral e que mantêm o estilo americano de musicais ficou por conta de Ricco Antony.

Para o Brasil é extremamente importante que o teatro abra suas portas para os temas infantis, assim como “Meu Amigo Charlie Brown”, que o que se pode exprimir daí é a preservação das boas amizades e o respeito à cultura de cada um dentro de uma tribo, ou de uma turma. O musical estará em cartaz até o dia 30 de Maio, no Teatro Frei Caneca, aos sábados e domingos, por R$ 60,00 reais e a meia entrada atende as normas e também quando apresentada uma lata de leite em pó na bilheteria. O horário é completamente atrativo aos pais que querem levar seus filhos para verem o espetáculo, às 16h. Os ingressos são comercializados pela Ingresso Rápido pela internet ou na bilheteria do teatro.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Após os palcos da Terça Insana, são “7 Conto” com Luís Miranda


O Teatro Cleyde Yáconis, no Jabaquara, em São Paulo estreou no dia 4 de Março a peça “7 Conto”, de Ingrid Guimarães e interpretação de Luis Miranda, que após os palcos da Terça Insana, mantém espetáculo solo com 7 personagens muito engraçados. São 70 minutos entre risos e a realidade, onde o ator leva para a comédia fatos de sua própria vida, a exemplo Dona Editi, que nasceu lá na Terça Insana, inspirada em sua mãe.

Claro que a peça não lhe arranca os 70 minutos ininterruptos de risos, é algo muito difícil fazer comédia, e fazer com que o público de risadas é ainda mais difícil. Porém nada que para essa dupla vinda de Sob Nova Direção, programa semanal que era exibido na TV Globo, seja um segredo. Ingrid Guimarães já tem por si só uma natureza engraçada, está sempre colocando os personagens a sua frente, o que aproxima o público ainda mais de seus textos, e este em especial nos leva ao teatro para ver 7 diferentes pessoas num só personagem.

O espetáculo usa também recursos multimídia, quando o personagem Detona, que ao contrário dos sensacionalistas da televisão, este é contra os pobres, defendendo os mais ricos. Já a personagem Carolina, uma atriz mirim negra, que vem ao palco com um vestido vermelho, fala com humor sobre o preconceito, e cita personagens do Wall Disney, porém falando “Valdisney”, uma forma satírica de escrachar a grande produtora, porém em pelo menos três comédias que já fui o roteiro continha o mesmo nome, acredito que é melhor esquecer um pouquinho do “Valdisney” pra não perder a graça.

Na peça há também um flanelinha bêbado, que já vem caminhando pela platéia enquanto imageticamente posiciona os carros nas vagas da rua, há uma senhora muito desbocada, mas que usa de seus palavrões para descontar a indignação do maltrato aos idosos, e tudo isso é tratado com bastante humor, mas ainda há algumas lacunas no texto, algumas vezes a comédia perde-se para um texto um tanto exagerado, como MC Dollar, um rapper que exalta o uso das grifes e acaba exacerbando um pouco na apresentação, o que pra mim forçou um pouco no humorístico, pelo tom do personagem diferir muito dos outros seis, o que acaba agredindo o texto.

A perspicácia que o ator Luiz Miranda tem de levar a realidade ao humor e retratá-lo no palco ganha uma aproximação maior com o público, fazendo-o rir de suas próprias situações, muitas vezes similares aos personagens. Dona Arminda, a senhora desbocada é a que mais arranca risos da plateia, o que é bem típico dos brasileiros, rir de palavrões, mas que no texto ficaram muito bem aplicados. Sheila é uma socialite muito fútil, famosa desde a Terça Insana, por querer se destacar na sociedade usufruindo de coisas “geneticamente modificadas”, como cita a personagem ao falar de suas histórias em viagens.

A comédia “7 Conto” fica até o dia 30 de Maio no Teatro Cleyde Yáconis, de quina à domingo, na Av. do Café, no Jabaquara. A compra de ingressos pode ser feita pela Ingresso Rápido. Vale a pena conferir.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Pra quem pensa em casar, "10 Maneiras Incríveis de Destruir seu Casamento", com Eduardo Martini


Após fazer o público rir todas as segundas-feiras no programa da Hebe, no SBT, o ator Eduardo Martini, criador da personagem Neide Boa Sorte, esteve em cartaz, em São Paulo, no teatro União Cultural, no Paraíso, com a peça 10 Maneiras Incríveis de Destruir seu Casamento, com sua própria direção e texto de Sergio Abritta. A peça mostra como os casamentos começam e terminam, com irreverência e versatilidade artística os atores se revezam entre 31 personagens que aterrorizam a mente de quem quer, ou já casou.

Tudo começa na cena de um casamento, a voz do padre, a noiva e o noivo, interpretado por Eduardo e todo o público como convidados, que acabam entrando na comédia, inteligente forma de integração entre a peça e a platéia. Essa é somente a primeira, de 10 cenas que promovem o fim de um relacionamento. Luciana Riccio, que divide o palco com os outros três atores, tem grande destaque na peça, sua presença de palco já nos remete a comédia e a caracterização das personagens é típica, não há comparações para fazer, apenas ressaltar seu show de interpretação. Os atores Vivi Albano e Bruno Albertini completam o ciclo de relações desastrosas mostradas na peça.

Futebol, TPM, velhice, sexualidade, manias e desavenças diversas levam o público à reflexão de seus casamentos, pois mesmo sendo tudo uma grande comédia, poucos são os exageros, está ali, sobre um palco, a divertida comédia dos casamentos. Eduardo Martini sempre mostrou sua irreverência, até mesmo descaracterizado de qualquer um de seus hilários personagens, e seu destaque fica claro na peça, posto que muita gente vai para ver o motivo das gargalhadas de Hebe Camargo.

O que muito me incomodou foi o teatro em si, as instalações, porém já houve uma outra peça de Eduardo Martini com a recente atriz global Cris Nicolotti, “Até que o Casamento nos Separe”, que também foi apresentada no União Cultural. A recepção é muito bem feita, porém o espaço é muito amador, mesmo com a tecnologia audiovisual que a peça leva, com um telão que permite a ultrapassagem do personagem pela imagem, ainda há uma ausência de estética nas instalações, nada que afete a evolução da peça, mas é algo que incomoda muitas pessoas.

Agora é só aguardar que “10 Maneiras Incríveis de Destruir seu Casamento” retorne a São Paulo, enquanto isso não acontece vale a pena lotar a caixa de e-mail do Eduardo com pedidos, em seu site oficial, que ainda dispõe a agenda de outros cartazes.

sábado, 24 de abril de 2010

“Terça Insana”, mais de 8 anos de pura insanidade


A atriz Grace Gianoukas dirige esta trupe humorista há quase nove anos revelando sucessos por vários lugares, porém é em São Paulo que às terças-feiras ficam bem mais insanas. Não é muito comum encontrar peças de teatro numa terça-feira, pra falar a verdade a Terça Insana não é bem uma peça de teatro, mas também não é um satand up comedy, é sim algo bem típico deles, que parece inimitável, mas que já tem sido possível para alguns. Ser insano é engraçado, quando regrado a um bom texto e cabíveis expressões, que talvez sejam naturais e, ou até mesmo ensaiadas. Imaginem um ensaio desses atores, isso fica um pouco difícil de se pensar, visto que tudo sobre o palco insano é tão insano que não da pra ver artificialidade. Além de Grace, Agnes Zuliani, Mila Ribeiro, Arthur Kohl e Renato Caldas divertem o público paulistano em plena terça-feira, ou melhor Terça Insana.

Tudo acontece num horário nobre, o público, muitos deles, deixaram seu escritório, ou casa mesmo, mas vê-se gente de todo tipo, trajando social, vestidos, jeans, e não só isso transparece a abrangência que a Terça Insana atingiu, mas muita gente os conhece, hoje alguns estão na TV, ou fazem muito sucesso nos vídeos da internet. Tudo acaba ganhando voz pra insanidade, ali qualquer assunto, acontecimento, pessoa vira humor. O sucesso foi tanto que já foram lançados dois DVDs e a casa está sempre cheia.

O que mais me impressiona é a versatilidade humorística da diretora e atriz Grace Gianoukas, sim, pois os atores mudam a cada temporada, mas ela está sempre interpretando hilários personagens e com sua marcante e irreverente voz, que parece um pouco atrapalhada, afobada, mas que nos faz ver que nem todo humorista precisa de um bordão, até porque quem interpreta vários num só espetáculo penaria um pouco para sempre criar um bordão, mas é muito inusitado, ousado e bacana quando um ator coloca sua característica em vários papéis, com exceção da personagem Aline Dorel, interpretada por Grace, que acaba sendo bem mais serena por um vício compulsivo a Lexotans.

Incomodou-me um pouco e pude ouvir de algumas pessoas sobre a locação do espetáculo, que está sendo na Acústica São Paulo, pois é muito apertado, as mesas acabam sendo pequenas e o desconforto atrapalha, com a passagem de garçons e sempre um pedido de licença para afastar a cadeira um pouco. Isso também acaba fazendo com que o show perca um certo número de público, pois a disposição de lugares não é tanta, assim muitas pessoas acabam voltando para casa sem conseguir um ingresso.

No mês que vem a Terça Insana já muda de tema, não falará mais sobre a mídia, como tem feito nas últimas apresentações, as quais também não tiveram muito foco no assunto, porém não deixou de fazer o público se divertir com temas atuais, personagens novos e também os já conhecidos, como a Santa Paciência e Carlota Joaquina. Alguns fazem falta no espetáculo, como personagens vividos pelos atores Luis Miranda, Octávio Mendes, Roberto Camargo, Marco Luque e Marcelo Mansfield que já deram vida e humor a inesquecíveis e mesmo recentes papéis.

A Terça Insana realiza sua temporada 2010 com muita insanidade, humor e um show de interpretação, vale a pena conferir personagens como Marli, interpretada por Mila Ribeiro, que já esteve ao lado de Cláudia Rodrigues, em A Diarista, na TV Globo. Marli é uma síndica muito solitária que conta histórias muito engraçadas dos moradores, além da novíssima personagem de Grace, a funcionária pública Mônica Limão, que já dá pra ter uma ideia de humor só pelo sobrenome. Como as apresentações mudam frequentemente quem não viu precisa mesmo assistir para tirar suas próprias conclusões e dar boas gargalhadas, e quem já viu também pode voltar, verá novos temas e alguns repetidos também, mas que não perdem a graça. A Ticketmaster comercializa os ingressos para a Terça Insana, que, obviamente, está às terças-feiras na Acústica São Paulo, na Bela Vista.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Uma freira, uma platéia, música e nada de Madre Superiora só podia dar numa “Noviça Mais Rebelde”, em cartaz em São Paulo


Existem assuntos que quando feitos em comédia caem num clichê, talvez falar de uma freira seja algo batido, pois é difícil encontrar quem supere, por exemplo, Whoopi Goldberg nesta tão religiosa função, no filme Mudança de Hábito. Porém no espetáculo, em cartaz no Teatro Raul Cortez, na Bela Vista, em São Paulo, a noviça não é rebelde, ela é muito mais do que isso, é “A Noviça Mais Rebelde”, interpretada por Wilson de Santos, e supervisão artística de Marcelo Médici, o espetáculo é inspirado no musical Nunsense, de Dan Goggin. Com muita irreverência essa freirinha faz a platéia pecar com muita graça.

Claro que o título dessa peça é uma boa sacada para relacionarmos com o filme A Noviça Rebelde, com Julie Andrews, e com isso sabermos do quão é engraçada e logo corrermos para a bilheteria e comprar um ingresso, porém o título de qualquer coisa, até mesmo obras teatrais serão estratégias de marketing. Mas falando de A Noviça Mais Rebelde não há propaganda enganosa não, realmente a rebeldia desta freira nos leva ao riso o tempo todo, de repente um beato incomode-se com certas críticas, mas não ficará fora da irreverência proposta pelo texto, que não é nem um stand up, nem um monólogo, pois o público tem efetiva participação, e quem ainda for assistir saiba que pode ser fisgado pelo terço da irmã. Já que estou falando em quem ainda for assistir a peça, é porque a recomendo, as críticas à instituição religiosa que agrega e catequiza freiras são postas no texto de maneira sútil e muito engraçadas, mas também são abertos paresentes para falar de política.

Tudo isso torna uma comédia ainda mais completa, usar uma freira para divertir uma platéia é, sem dúvidas, ser alvo de críticas religiosas, mas não se preocupem que ninguém irá pro inferno por assistir a peça. Irmã Maria José faz parte da irmandade de Salut Marie que promove um show beneficente justamente no dia em que o senador José Sarney faz uma visita ao convento. Com o atraso da Madre Superiora, irmã Maria José envolve o público com suas brincadeiras e histórias, autorizada pela Madre à dar início ao espetáculo, mediante orações de abertura. O palco vira um cassino, o público joga o bingo, que reserva surpresas, a promoção dos patrocinadores é incorporada ao texto e valiosa para a graça do número. Imitações são feitas pela freira, onde o intuito não é aproximar-se da voz do cantor imitado, mas o ator Wilson de Santos consegue retratar muito bem a fisionomia destes. A trilha sonora é produzida por Ivan Huol e Cia das Vozes, e a tradução das músicas feita por Flávio Marinho e Wolf Maya.

Os jogos encenados e realmente finalizados em prêmios para algumas pessoas que são convidadas ao palco, dão clareza ao que muitas instituições religiosas são capazes de fazer para lucrar com seu papel cristão, porém nada que seja diretamente falado nem explícito. Como a Madre Superiora não aparece no show a irmã Maria José, ao lado da imagem de um santo tão desconhecido, o Santo Antônio de Categeró, e munida de um cenário que dá apoio as suas histórias sobre Adão e Eva, sempre contadas aos risos da platéia, toma conta do palco e junto às suas lembranças da juventude nos leva às gargalhadas, cantando, dançando e fazendo muito humor a freira desprende-se dos clichês e faz um espetáculo autêntico.

Ainda dá tempo de assistir e rir com A Noviça Mais Rebelde, no Teatro Raul Cortez, na Fecomércio, Bela Vista – São Paulo.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

"Cats", um musical cheio de garras revira os latões e becos no palco do Teatro Abril


Prendam seus cachorros, pois diretamente da Broadway, um dos mais famosos espetáculos solta seus gatos em São Paulo, onde o Teatro Abril apresenta o musical Cats. O bairro da Bela Vista, famoso por seus tantos teatros, traz mais uma vez uma superprodução, e nada que fique devendo para espetáculos como O Fantasma da Ópera e A Bela e a Fera, pois desde março muita gente tem ido ver os famosos gatinhos do Cats.

Do poeta americano T.S. Eliot, Cats foi baseado em 14 poemas do livro Old Possum’s Book of Practical Cats, que teve sua primeira publicação em 1939 e foi inspirado no comportamento dos gatos do próprio autor. As letras de Tim Rice e os arranjos do inglês Andrew Lloyd Webber foram mantidos no espetáculo, porém os 38 atores encenam e cantam músicas em português, inclusive canções de Toquinho. Os personagens são muito bem caracterizados, o figurino é também um dos pontos que impressiona o público e torna-se bem mais visível quando os felinos usam os espaços entre a platéia para caminhar, aí sim tudo fica realmente parecendo uma invasão de gatos. Desde a maquiagem à voz dos atores tudo é de nos deixar estonteado, o primeiro ato talvez leve algumas crianças e outros aos bocejos, por ainda introduzir as aventuras que virão no show, mas logo o entusiasmo toma conta dos felinos quando a história ganha seu climax e surpresas.

Todo espetáculo gira entorno da tribo Jellicle Cats, que naquela noite reúne-se para escolher os seus melhores, num cenário cheio de efeitos mecânicos e de iluminação, sem economizar nada na produção todo o amontoado de lixos do beco foi confeccionado com muito luxo. O líder da tribo, um gato velho e muito saudoso de sua profissão de ator, que é relembrada no palco salientando grandes nomes e retratando o passado dele, Old Deuteronomy, é quem escolhe qual deles irá para um lugar especial chamado Heavyside Layer, onde poderá renascer para uma nova vida. Porém apenas um dos gatos não pode compartilhar, uma gata triste e cabisbaixa, interpretada por Paula Lima, Grizabella abandonou o grupo anos antes para explorar o mundo afora, porém tudo terminará com grandes e emocionantes surpresas.

Com humor, sutileza e encanto Cats já foi apresentado em 20 países e 250 cidades e ainda estará em cartaz até o mês que vem aqui em São Paulo. O preço não é dos mais doces, porém não fica abaixo da tabela que o Teatro Abril costuma apresentar, e não deixa de valer a pena investir em ser publico deste tão bem sucedido musical.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Marisa Orth é Simone de Beauvoir em “O inferno sou eu”, ousada, corajosa e intensa


“Entre a fidelidade e a liberdade haverá uma conciliação possível? A que preço?"
Simone de Beauvoir em A Força da Idade


São Paulo recebe, após trinta anos de morte, a filósofa e escritora Simone de Beauvoir nos palcos, porém intensamente interpretada pela atriz Marisa Orth. O drama de Juliana Rosenthal K. é uma bela obra de ficção, mas baseada na vida de uma francesa que viveu um amor junto ao filósofo Jean-Paul Sartre, que numa viagem ao Brasil deparam-se com uma realidade totalmente diferente, de regionalismos, de comportamento e sobrevivência. Na década de 60, Simone de Beauvoir esteve com Sartre viajando pelo Brasil, no Amazonas contraíram tifo, que no Recife foram tratar hospedando-se na casa da amiga Marta, que contratou uma jovem de vinte anos para cuidar de Simone.

Na cenografia, de Isay Weinfeld, apenas um quarto, simples como eram os quartos em Recife, uma cama que sobre a cabeceira leva, presa na parede, uma cruz com Jesus Cristo, um penteadeira, uma mesinha, um guarda-roupas e um espelho, que num momento de fúria é estilhaçado quando Simone lhe atira um objeto contra, assustando a todo o público com o estardalhaço. Dorinha, que cuida de Simone, enquanto Sartre aproveita passeios e namoricos com Marta, não era bem uma empregada, pois é uma menina estudada, fala francês e estuda letras, de uma família religiosa, que repudiava filósofos como Sartre e Simone, seu sonho era conhecê-la e para isso insistiu para trabalhar na casa de Marta enquanto eles ficassem hospedados por lá. O que será que duas mulheres tão diferentes podem ter de tão comum, e no comum o que há de tão diferente entre elas? O texto explora exatamente isso, a mulher dos séculos passados, porém num texto completamente atual.

O diretor José Rubens Siqueira soube conduzir muito bem os diálogos entre as personagens das atrizes Marisa Orth e Paula Weinfeld, soube tecer frases de mulheres comuns e de uma filósofa, levou com o roteiro uma realidade falando de amor em realidades diferentes com mulheres tão diferentes. Dorinha ama um pedreiro de nome Nivaldo, e grávida diz que jamais largaria o homem para acompanhar Simone à Paris, em busca de crescimento profissional, que mesmo morando em Brasília, ainda o amava. Dorinha preserva o amor como uma moça que viveria pacatamente em seu casebre, crítica e decidida, isso sim são similaridades à personalidade de Simone. “Vocês falam muito com a cabeça, e pouco com o coração”, assim a jovem estudante de cabelo chanel e óculos redondos define os filósofos. Claro, isso antes de ler uma carta de Simone ao seu amado Nelson, um americano que vive em Chicago. A carta declama um amor por Nelson, como qualquer mulher muito apaixonada poderia dizer e debruçada num sentimento revelava numa das frases desta carta: “...eu quero ser sua mulherzinha e viver na nossa casinha...” .Ela já não sentia mais amor por Sartre, ele tampouco por ela, viviam realmente em casas separadas em Paris, Simone de Beauvoir era uma intrigante filósofa em seus livros e intensa mulher em seu romance, “não devemos amar só com o coração, mas sim com todo o corpo”, assim era Simone, de amor e de sexo.

Simone critica muito como uma menina tão inteligente como Dorinha poder parecer tão submissa ao amor, porém ela apenas disfarça sua submissão, atrás de seus pensamentos e críticas mora uma mulher frágil, que chora as saudades de um homem e o desejo de tê-lo. É este o confronto entre duas mulheres, tão iguais e tão diferentes.

Com graça e emoção, Marisa Orth abusa sensacionalmente de suas feições, de sua presença de palco, e a divide com irreverencia e veracidade os diálogos com Paula Weinfeld, selecionada num teste com outras atrizes.

Dorinha, religiosa, insiste que Deus está em todo lugar, e tentando refrescar-se em frente ao ventilador, daquele calor escaldante nordestino, Simone ironicamente extravasa: “Aqui no Recife ainda não o vi”. Enquanto no palco o calor é pernambucano, a platéia pode ocupar-se escapando do frio paulistano no Teatro Jaraguá, até o dia 16 de Maio, onde os ingressos variam entre R$ 50 e R$ 60 reais, de sexta à domingo, na Rua Martins Fontes, 71 – Bela Vista.

sábado, 10 de abril de 2010

Com “Amor, festa e devoção” Maria Bethânia encanta o publico paulistano


Na última sexta-feira Maria Bethânia desembasrcou em São Paulo para mais uma vez emocionar o público com seu show “Amor, Festa e Devoção”, de seu próprio roteiro, junto a Fauzi Arap. Com músicas inéditas a intéprete mais aclamada da MPB inaugurou sua turnê ainda no ano passado, e agora no Citibank Hall ela traz romance, alegria e fé, sempre de branco e valseando sobre o palco banhado a rosas e com os pés descalços.

O show foi inteiramente dedicado a sua mãe dona Canô, a quem Bethânia dedica especialmente uma música e demonstra ainda mais emoção em sua interpretação. Assistir Maria Bethânia sobre uma arena, como diz Bibi Ferreira quando refere-se ao palco, é ouvir, ver e ler, é um teatro, um musical, um poema vivo. Bia Lessa comanda a direção do show, com uma banda singela e expressiva sob a regência de Jaime Alem. As músicas ganham intervalos poéticos e costuras que viajam o tempo, por instantes parecemos adentrar numa galeria de arte, outrora numa singela casinha do interior onde cantam-se músicas brejeiras e bem sertanejas. “ Tua” e “Encateria” ainda são recentes composições muito aplaudidas pela platéia e que serenam em meio a composições imortais de Vinícius de Moraes, Chico Buarque e Caetano Veloso, que nunca faltam nas interpretações de Bethânia.

Um vasto repertório não deixa o show calar-se em momento algum, de tempo em tempo a banda vai esmaecendo o som ressaltando apenas a voz de Maria Bethânia. Eclética e intensa ela traz músicas que extasiam a todos que ouvem, não basta uma boa letra para encantar alguém, mas dê essa letra à voz de Bethânia que ela faz o intocável show. “ Feita na Bahia” e “Santa Bárbara”, ambas de Roque Ferreira nos fazem ficar ainda mais próximos de sua terra natal, “Ê Senhora”, de sua tão queridinha e elogiada Vanessa da Mata, “Drama” e “Não Identificado” de Caetano Veloso, e outras músicas de compositores respeitosos dão romance, agito e fé ao show, como também “Estrela”, de Vander Lee e “Explode Coração” de Gonzaguinha.

O tempo que se passa no show é o privilégio de encantar a alma com a baiana soberana da música popular brasileira, é um momento de apreciar os acordes serenos, de sertão, de terreiro e de carinho, é um instante de saudade e prospecção daquilo que sentimos sempre e chama-se amor. Muita coisa torna-se indescritível, pois cada um sente Bethânia de uma forma particular.

Ainda há tempo para encantar-se e saborear dos batuques, das cordas brejeiras e dos tons sobre tons flauteados pela voz de Maria Bethânia, até este domingo e no próximo final de semana São Paulo ainda deitará a lua sobre o Citibank Hall, enquanto ela ecoa sua voz por aqui, quando depois partirá para Maceió e em seguida para a Europa, seguindo sua turnê encantando e amando sua música.