
Ontem anoite, no Grande Auditório, do Parque Anhembi, Gal Costa, já considerada pelo meio artístico como a maior cantora do Brasil, fez um show acústico relembrando diversas músicas que fizeram sucesso em sua voz. Com o mesmo timbre romântico de sempre ela voltou a São Paulo após anos sem se apresentar nos palcos daqui.
Gal veio ao palco triunfante, já entrou sobre um tapete de aplausos, debaixo de um banho de luzes nobres e ao fundo uma cortina prateada que refletia diversas cores ambientalizando as notas que traziam compasso à sua voz. Acompanhada de Luiz Meira, no violão, ela relembrou canções que marcaram sua carreia, da bossa às palavras de Dorival Caymmi, que cantaram a Bahia, boa parte da caminhada de Gal Costa na música passeou pelas vozes de todos os presentes.
O figurino lhe deixava ainda mais leve, ainda mais total. Os cabelos relembravam aquela mulher profana, que dobrava os joelhos e em uma leve abaixada para reverenciar o público com a cortinada que seus encaracolados novelos negros dava ao rosto dela. As três primeiras músicas introduziram sua volta grandiosa aos palcos, ela cantou “Azul”, com um certo descompasso, mas calibrava o belo repertório que viria trazer toda sua brasilidade durante o show. Estava mais falante do que nunca, na medida certa, conversou com a plateia e com uma homenagem para Dorival Caymmi ela trouxe “Vatapá”, com uma versão tão gostosa quanto à receita.

O repertório esquentou a noite, “Wave”, “Garota de Ipanema” e “Chuva de Prata” fizeram todo mundo cantar, músicas que Gal gravou enquanto embalava as rádios cariocas e do país todo. Ainda “Meu bem, meu mal” e “Vapor Barato” não ficaram de fora da elegância que a preservaram num show classudo. A baiana do timbre romântico, da voz entre grave e agudo, do samba, do rock e da bossa calou qualquer tristeza e não censurou sua irreverência e contentamento. “Folhetim” deu ao show romantismo, “Brasil” saudade de um país limpo e alegre e “Força Estranha” despediu o público que pedia mais bis.
A Poladian presenteou São Paulo com mais uma ótima produção. Gal Costa, que fez shows pelo mundo inteiro, tem ensaiado um Total repertório saudoso, com qualidade musical e acordes de Luiz Miranda, que passeia pelas cordas do violão amando o som brasileiro. Hoje tem Rita Lee no mesmo palco, onde no mês passado Ney Matogrosso recitou seu grandioso som. Rita se apresenta às 21h, no Grande Auditório, do Parque Anhembi.













