sábado, 2 de outubro de 2010

Gal Costa volta aos palcos de SP com show acústico


Ontem anoite, no Grande Auditório, do Parque Anhembi, Gal Costa, já considerada pelo meio artístico como a maior cantora do Brasil, fez um show acústico relembrando diversas músicas que fizeram sucesso em sua voz. Com o mesmo timbre romântico de sempre ela voltou a São Paulo após anos sem se apresentar nos palcos daqui.

Gal veio ao palco triunfante, já entrou sobre um tapete de aplausos, debaixo de um banho de luzes nobres e ao fundo uma cortina prateada que refletia diversas cores ambientalizando as notas que traziam compasso à sua voz. Acompanhada de Luiz Meira, no violão, ela relembrou canções que marcaram sua carreia, da bossa às palavras de Dorival Caymmi, que cantaram a Bahia, boa parte da caminhada de Gal Costa na música passeou pelas vozes de todos os presentes.

O figurino lhe deixava ainda mais leve, ainda mais total. Os cabelos relembravam aquela mulher profana, que dobrava os joelhos e em uma leve abaixada para reverenciar o público com a cortinada que seus encaracolados novelos negros dava ao rosto dela. As três primeiras músicas introduziram sua volta grandiosa aos palcos, ela cantou “Azul”, com um certo descompasso, mas calibrava o belo repertório que viria trazer toda sua brasilidade durante o show. Estava mais falante do que nunca, na medida certa, conversou com a plateia e com uma homenagem para Dorival Caymmi ela trouxe “Vatapá”, com uma versão tão gostosa quanto à receita.

O repertório esquentou a noite, “Wave”, “Garota de Ipanema” e “Chuva de Prata” fizeram todo mundo cantar, músicas que Gal gravou enquanto embalava as rádios cariocas e do país todo. Ainda “Meu bem, meu mal” e “Vapor Barato” não ficaram de fora da elegância que a preservaram num show classudo. A baiana do timbre romântico, da voz entre grave e agudo, do samba, do rock e da bossa calou qualquer tristeza e não censurou sua irreverência e contentamento. “Folhetim” deu ao show romantismo, “Brasil” saudade de um país limpo e alegre e “Força Estranha” despediu o público que pedia mais bis.

A Poladian presenteou São Paulo com mais uma ótima produção. Gal Costa, que fez shows pelo mundo inteiro, tem ensaiado um Total repertório saudoso, com qualidade musical e acordes de Luiz Miranda, que passeia pelas cordas do violão amando o som brasileiro. Hoje tem Rita Lee no mesmo palco, onde no mês passado Ney Matogrosso recitou seu grandioso som. Rita se apresenta às 21h, no Grande Auditório, do Parque Anhembi.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

“Nosso Lar” exibirá sessão para surdos, mas ainda é pouco


O filme que leva a direção de Wagner de Assis, como uma das maiores produções e bilheterias do cinema nacional, que já arrebatou mais de 3 milhões de espectadores, “Nosso Lar” chegará hoje ao cinema em São Paulo, no Cine Artlpex, do Espaço Unibanco do Shopping Frei Caneca uma sessão do filme com legendas especialmente para deficientes auditivos.

A grande crítica aqui não será sobre o filme, sim sobre o horário em que essa sessão será exibida, às 16:30, nesta sexta-feira, onde os surdos também trabalham, ou será que os mesmos precisam deixar o serviço mais cedo para acompanhar uma sessão em que torna-se quase que exclusiva, privando-se apenas a uma cidade, por enquanto, e nesta sala em específico? Sem dúvidas a importância das legendas num filme nacional deve-se ganhar âmbito nacional, São Paulo não é a única cidade que habita deficientes auditivos, além do mais o assunto precisa ser tratado com mais respeito, se há lugares reservados para cadeirantes numa sala, também precisa haver legendas, todas as especialidades precisam ser tratadas com total igualdade, somos todos moradores do mesmo planeta, pagantes dos mesmos impostos e garantidos pela mesma constituição.

O filme é baseado no livro de Chico Xavier, onde conta a história de André Luiz, interpretado por Renato Prieto, onde após sua morte acorda com sentidos comuns, sede, fome e frio, no umbral ele súplica para sair do purgatório e recebe a luz que o leva para o Nosso Lar, onde os espíritos têm a oportunidade de cura e regeneração. Nesta cidade ele pôde prestar todo apoio aos atendimentos espirituais e médicos, assim lhe é concebido o direito de ir à Terra visitar sua família, quando ele percebe que a vida continua para todos.

O filme caracteriza-se por sua sensibilidade e leveza, exprime toda a espiritualidade de Chico Xavier, a ótima produção da Cinética Filmes e Iafa Britz, conta com a distribuição da Fox Film do Brasil, a qual tem sido procurada e especulada por deficientes auditivos para que a exibição do longa-metragem com legendas passe também para os finais de semana e ganhe um projeto, onde todo o Brasil receba as sessões. Apenas uma exibição, dentro do horário comercial e numa sexta-feira aplica-se ao descaso às questões humanitárias, todas as pessoas têm direito ao entretenimento e acesso à cultura, porém este tem sido imoralmente violado.

A exibição será hoje (1) no Cine Artplex, do Shopping Frei Caneca, em São Paulo, e ficará até o dia 7 de outubro, às 16:30h. Outros filmes nacionais também já tiveram em suas versões legendas, como “Chico Xavier” e “Os Desafinados”, porém foi alegado pouco público, mas não há como exigir a presença dos surdos em apenas um dia, num horário comercial e em apenas uma sala. Aos que puderem comparecer é importante o incentivo à igualdade, legendar um filme não é um trabalho que eleve tanto os gastos, os filmes brasileiros têm ganhado sucessivos êxitos internacionalmente, vamos deixar a cultura individualista e despreocupada no lixo e dar acesso à todos os espectadores em todos os filmes. A cultura precisa de apelo, para ganhar mais respeito e espaço no Brasil.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

“Harry Potter e as Relíquias da Morte” fará suspense em duas partes


Já tem data marcada para a estreia da primeira parte do longa-metragem “Harry Potter e as Relíquias da Morte”, dia 19 de novembro as telinhas dos cinemas no mundo todo começarão a exibir o fim da saga Harry Potter, lançada de início na coleção de livros de J.K Rowling, que já vendeu mais de 400 milhões de exemplares, traduzidos para mais de 67 idiomas, em 7 livros publicados. Já os filmes lançados renderam a segunda maior bilheteria do cinema arrendando 4,5 milhões de dólares, ficando apenas atrás de Star Wars.

Os filmes sempre trouxeram os conflitos entre Harry Potter e o Lord Voldemort, chamado de “Senhor das Trevas” pelos Comensais da Morte, seguidores dele. O bruxo é um dos mais temidos entre a ordem dos bruxos, porém não mais poderoso do que Harry Potter, o qual é o único que tem o poder de destruí-lo. Assim, Voldemort persegue Potter para matá-lo, porém o jovem protegido pelos pais consegue escapar e assiste à morte de sua mãe e do pai. Durante os 6 filmes que trazem a saga de Harry Potter, Dumbledore, fundador da Ordem da Fênix, criada para destruir Lord Voldemort, e diretor da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, onde passa-se a maior parte das histórias, alia-se a Potter para ajudá-lo no confronto com o Lord, porém no filme “Harry Potter e Enigma do Príncipe” o velho sábio e bruxo morre. Agora, na sétima parte da história, Harry, Ron e Hermione iniciam uma nova missão para destruir Voldemort.

Os três jovens, Harry, interpretado pelo ator Daniel Radcliff, o amigo Ron, vivido por Rupert Grint, e Hermione, por Emma Watson, iniciam a missão de destruir o segredo da mortalidade e destruição de Voldemort – as Horcruxes. Os Comensais da Morte tomam conta do Ministério da Magia e de Hogwarts. O desejo de Voldemort é encontrar Harry Potter para que o Senhor das Trevas possa matá-lo e ter o poder total da magia. Potter, enquanto procura as Horcruxes, descobre a lenda das Relíquias da Morte, lenda essa que poderia dar a Voldemort o poder que ele tanto procura. Nesta guerra o dia mais esperado de toda a saga Harry Potter chegará, onde Potter e Lord Voldemort, vivido pelo ator Ralph Fiennes, se encontrarão para o confronto final.

Para os filmes, a exigência de Rowling, autora dos livros, que recebeu uma bolada em libras pelos direitos autorais, foi que o elenco principal fosse britânico. Steven Spielberg esteve nas primeiras negociações para dirigir os filmes, porém não era de acordo com a exigência de Rowling, além de outras, e desistiu. O longa “Harry Potter e as Relíquias da Morte” foi dividido em dois filmes, o primeiro estreará em 19 de novembro, e o segundo apenas em 15 de julho do próximo ano, assim a Warner Bros ganhará numa bilheteria muito maior do que teria com apenas um filme. A cena final do primeiro filme incorpora uma sacada de marketing para a produtora, onde assim que Lord Voldemort puser as mãos em uma das três Relíquias da Morte, a varinha mais poderosa de todas, conhecida como Varinha do Destino, ou da Morte, só poderemos ver o restante na última gravação da saga, em “Harry Potter e as Relíquias da Morte 2”, em julho de 2011. Assim a primeira parte estará de acordo até com o 24º capítulo do livro, e a segunda dará continuidade.

David Yates, que dirigiu A Ordem da Fênix e O Enigma do Príncipe, assina a direção das Relíquias da Morte, com produção de David Heyman, produtor de todos os filmes de Harry Potter, além de David Barron, também produtor do filme. O roteiro de Steve Kloves foi adaptado do sétimo livro de J.K Rowling. Lionel Wigram é o produtor executivo. A grande produção de Heyday Filmes, apresentada pela Warner Bros. Pictures estará nas telinhas do Brasil no dia 19 de novembro, trazendo mistério e suspense, deixando a maior parte de ação e conflito para o ano que vem, na segunda parte do filme.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

“O Soldadinho e a Bailarina”, estreia 2 de outubro em SP


O musical infantil, “O Soldadinho e a Bailarina”, estreia dia 2 de outubro, em São Paulo, no Teatro Procópio Ferreira, trazendo no elenco Luana Piovani e Pablo Áscoli, sob direção de Gabriel Villela, com o texto adaptado de Gustavo Wabner e Sergio Módena.

O texto é uma adaptação do conto “O Soldadinho de Chumbo”, de H.C Andersen, onde a proposta de Gabriel Villela, convidado para a direção do projeto, era arar o espetáculo com raízes culturais brasileiras. Sofia, a bailarina, interpretada por Luana Piovani, divide o quarto com outros brinquedos, empoeirados e esquecidos pelo menino Euclides, o Boneco de molas chantageia Sofia, pedindo-a em casamento, caso recusasse todos os outros brinquedos sofreriam as consequências. Porém com a chegada do soldadinho de chumbo Perneta a história ganha o tom de romance, ele e Sofia se apaixonam e planejam uma fuga, mas as consequências disso ficam nas mãos do Boneco de molas.

Estive na pré-estreia do musical, que é curto, fica em torno de 55 minutos, tempo bom para um espetáculo infantil, visto que muitos dos mini espectadores ficam inquietos e se manifestam o tempo todo. As danças são de pouca coreografia, não existem tantos movimentos de balé, o que daria muito mais beleza à peça e ilustraria muito mais o título. As canções desenham toda a infantilidade do musical, “Marcha Soldado”, de domínio público, foi muito bem colocada no roteiro, assim como todas as outras, a direção musical é de Victor Pozas e Ernani Maletta, letras de Sergio Módena. Todos os atores participam dos números vocais, a voz de Luana Piovani ainda não está de acordo com o lirismo que os musicais requerem, falta mais afinação. Pablo Áscoli apresenta-se muito bem no palco, assume a rigidez de um boneco de chumbo e veste o desenho de sua maquiagem tal qual um brinquedo. A iluminação de Domingos Quintiliano resume-se numa projeção azulada, deixando o clima mais leve e pueril. O cenário é projeto de Gabriel Villela, que traz elementos como de costume dele, guardas-chuva que são usados para que o espectador imagine uma caixa de bonecas, por exemplo, ou a janela em que os bonecos se debruçam, porém não acho possível que uma criança use tão imageticamente estes recursos, em “Calígula”, que teve direção de Gabriel Villela em 2009 o guarda-chuva também foi utilizado, acredito que este é um recurso que vem se tornando repetitivo demais em produções envolvidas por ele. O cenário é pouco, não poluí o palco, mas também não impressiona, o croqui foi muito fácil, com pouca sensibilidade artística.

Os figurinos são bonitos, porém importados da Hungria, esmaecendo a vivacidade brasileira que poderia aplicar-se, já que todo o projeto foi apoiado no resgate a brasilidade não tem porque usar modelos Húngaros. Além disso, o sobretudo vermelho, que o Boneco de molas usa, também trazido de lá, por Gabriel, dá um tom muito sombrio às cenas em que há sua utilização, o Boneco parece ter uma inspiração muito negativa, que ganha luz avermelhada no palco, ponto negativo pala a iluminação, que já perde toda a leveza que vinha trazendo ao espetáculo, e faz um medo desnecessário, a construção de toda a linguagem poderia ser mais adequada, duvido que muitas crianças entenderam o script dos personagens. O visual da bailarina não está legal, nem parece uma bailarina, remete muito mais a uma camponesa, talvez foi inspirada naquelas bonecas feitas a qualquer modo, sem cuidado e respeito a beleza da atriz.

Quem assina a direção de produção é Maria Siman, a realização é de Luana Piovani Produções e Primeira Página Produções Culturais. O espetáculo ficará em cartaz até 19 de dezembro, aos sábados e domingos, com estreia marcada para o dia 2 deste mês, no Teatro Procópio Ferreira, em São Paulo. O valor da peça é R$ 60,0 um valor extremamente explorador, visto que é um musical infantil, muito bem patrocinado e apoiado pelo Proac, um programa do governo de São Paulo que deveria afogar muito mais os gastos de produção, deixando a bilheteria bem mais barata.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

"A Noviça mais Rebelde: o que faz uma freira de folga?


Existem assuntos que quando feitos em comédia caem num clichê, talvez falar de uma freira seja algo batido, pois é difícil encontrar quem supere, por exemplo, Whoopi Goldberg nesta tão religiosa função, no filme Mudança de Hábito. Porém no espetáculo, em cartaz no Teatro Leblon, na Sala Fernanda Montenegro, no Rio de Janeiro, a noviça não é rebelde, ela é muito mais do que isso, é “A Noviça Mais Rebelde”, interpretada por Wilson de Santos, e supervisão artística de Marcelo Médici, o espetáculo é inspirado no musical Nunsense, de Dan Goggin. Com muita irreverência essa freirinha faz a platéia pecar com muita graça.

Claro que o título dessa peça é uma boa sacada para relacionarmos com o filme, A Noviça Rebelde, com Julie Andrews, e com isso sabermos do quão é engraçada e logo corrermos para a bilheteria e comprar um ingresso, porém o título de qualquer coisa, até mesmo obras teatrais serão estratégias de marketing. Mas falando de A Noviça Mais Rebelde não há propaganda enganosa não, realmente a rebeldia desta freira nos leva ao riso o tempo todo, de repente um beato incomode-se com certas críticas, mas não ficará fora da irreverência proposta pelo texto, que não é nem um stand up, nem um monólogo, pois o público tem efetiva participação, e quem ainda for assistir saiba que pode ser fisgado pelo terço da irmã. Já que estou falando em quem ainda for assistir a peça, é porque a recomendo, as críticas à instituição religiosa que agrega e catequiza freiras são postas no texto de maneira sútil e muito engraçadas, mas também são abertos paresentes para falar de política.

Tudo isso torna uma comédia ainda mais completa, usar uma freira para divertir uma platéia é, sem dúvidas, ser alvo de críticas religiosas, mas não se preocupem que ninguém irá pro inferno por assistir a peça. Irmã Maria José faz parte da irmandade de Salut Marie que promove um show beneficente justamente no dia em que o senador José Sarney faz uma visita ao convento. Com o atraso da Madre Superiora, irmã Maria José envolve o público com suas brincadeiras e histórias, autorizada pela Madre à dar início ao espetáculo, mediante orações de abertura. O palco vira um cassino, o público joga o bingo, que reserva surpresas, a promoção dos patrocinadores é incorporada ao texto e valiosa para a graça do número. Imitações são feitas pela freira, onde o intuito não é aproximar-se da voz do cantor imitado, mas o ator Wilson de Santos consegue retratar muito bem a fisionomia destes. A trilha sonora é produzida por Ivan Huol e Cia das Vozes, e a tradução das músicas feita por Flávio Marinho e Wolf Maya.

Os jogos encenados e realmente finalizados em prêmios para algumas pessoas que são convidadas ao palco, dão clareza ao que muitas instituições religiosas são capazes de fazer para lucrar com seu papel cristão, porém nada que seja diretamente falado nem explícito. Como a Madre Superiora não aparece no show a irmã Maria José, ao lado da imagem de um santo tão desconhecido, o Santo Antônio de Categeró, e munida de um cenário que dá apoio as suas histórias sobre Adão e Eva, sempre contadas aos risos da platéia, toma conta do palco e junto às suas lembranças da juventude nos leva às gargalhadas, cantando, dançando e fazendo muito humor a freira desprende-se dos clichês e faz um espetáculo autêntico.

Ainda dá tempo de assistir e rir com “A Noviça mais Rebelde”, no Teatro Leblon, Sala Fernanda Montenegro, no Rio de Janeiro. O espetáculo está nas últimas semanas de apresentação, em cartaz de sexta e sábado 19h e aos domingos 17h, no valor de R$ 50,00.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Marco Luque prolonga temporada em “Tamo Junto!”


O apresentador mais badalado da TV Bandeirantes, do programa Formigueiro e CQC, está em cartaz no Teatro Frei Caneca, Marco Luque estreou em março seu stand up comedy “Tamo Junto!”, que teve a temporada prolongada decorrente ao sucesso de público em São Paulo.

Marco Luque faz um stand up sem qualquer caracterização, mesmo com o sucesso de seus personagens, “Mary Help”, “Silas Simplesmente” e “JacksonFive”, o ator procura proximidade ao público usando temas do cotidiano, até mesmo experiências próprias. Um comediante precisa ter a perspicácia de saber o que é engraçado para o público e o que é somente para ele, falar de experiências próprias pode ser algo arriscado por isso, mas Marco Luque abusa de suas expressões com a boca e o rosto todo, deixando a plateia à vontade para dar boas risadas, porém nem de tudo.

Como disse na crítica que fiz ao stand up de Oscar Filho, seu companheiro no CQC, há muitas similaridades entre os textos dos dois atores, coisas que para quem assistiu ambos os espetáculos tornam-se repetitivas. Acredito, ou pelo menos espero, que tenham um assistido ao outro e que realmente variem um pouco mais o humor no roteiro apresentado, insiram mais piadas, cada história que se conta é muito longa e perde-se tempo com isso, o espetáculo acaba muito rápido e deixa o público insatisfeito.

Marco Luque usa de alguns jargões que caracterizam o título do stand up “Tamo Junto!”, no início apresenta-se ao público e os integra ao texto, o que deve ser feito sem muito abuso num espetáculo assim, pois num stand up existe apenas um ator sem qualquer caracterização, quanto a isso Marco acertou em cheio.

O stand up não é daqueles que faz o público dar muitas risadas, porém reflete bastante comédia, sem concentrar o humor em palavrões demais, Marco Luque intercala sua vida com a de qualquer pessoa, contando casos e exemplificando com passagens pessoais. As interpretações dos personagens são melhores do que o stand up. No espetáculo ele acaba usando de algumas características de seus personagens, sendo nestes instantes que o público entrega-se mais ao humor e caem no riso.

Marco Luque está em cartaz com o stand up “Tamo Junto!” até o dia 27 de Outubro, todas as quartas-feiras 21:30, com ingressos no valor de R$ 50,0 no Teatro do Shopping Frei Caneca, 6º piso, em São Paulo.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

“O Amante”, pouco assunto em um grande tema


Está em cartaz no Teatro Nair Bello, no Shopping Frei Caneca, em São Paulo, a peça “O Amante”, texto de Harold Pinter, com direção de Francisco Medeiros. No palco Paula Burlamaqui e Daniel Alvim vivem personagens que representam o conjugal e a liberdade conjugal.

O texto, única comédia de Harold Pinter, não é bem uma comédia como foi pintado o gênero, talvez por ser o primogênito humor do autor o roteiro não permita muita ironia e risos. Sarah, esposa de Richard, vive aventuras com seu amante Max, porém o marido também veste os moldes do relacionamento aberto, mantendo encontros com uma prostituta. O amor é sempre posto à prova neste emaranhado de traições às claras até que o clímax toma conta da peça.

A atriz Paula Burlamaqui, que interpreta Sarah, desempenha sua ótima atuação quando precisa dar para a personagem um grande toque de sensualidade, porém sua movimentação no palco é demais, ela anda muito e qualquer espectador fica sem saber para onde olhar, enquanto o texto de todos os diálogos são vagos, munidos de pouca informação sobre os personagens, pouca apresentação, são conversas curtas em um texto cheio de pausas, além dos intervalos para as trocas de objetos no cenário. O Daniel Alvin, apesar de manter um bom entrosamento com a Paula em cena, exprime muito pouco uma pessoa comum no palco, nota-se muito que o texto está sendo tecnicamente falado e pouco interpretado. A mudança do ator quando vive mais de um personagem é muito bacana, porém sua desenvoltura como um bom ator perde-se num texto de pouco interesse, que mais preza exibir sensualidade do que comédia e assuntos que ocupariam muito mais a imaginação do público.

O amante por vezes dota-se de uma postura mais selvagem, isso é muito bacana para uma comédia, ora o texto equilibra-se em carinho, ora sensualidade, mas em momento algum em comédia. Perde-se muito tempo quando os atores trocam de roupa fora de cena, se estamos assistindo um cenário que apresenta um quarto, a veste de um outro figurino poderia ser feita durante a cena, basta que o diretor articule muito bem a direção com a movimentação dos atores em cena. Os elementos que compõe as cenas são muito bem usados, desde as doses de uísque, até as almofadas do sofá, que a cada visita do amante, ou chegada do marido, são mudadas de lado, algo que substituí a cena por uma outra.

A iluminação é ponto alto do espetáculo, com a assinatura de Maneco Quinderé, que sempre faz seu ótimo trabalho em qualquer palco, atribuí muito bem o tempo e o clímax da peça, quando noite, percebe-se logo a mudança do dia, e toda projeção de luz sobre e através do cenário é maravilhosamente realizada. Os figurinos de Marichilene Artisevskis dão elegância às cenas, as sedas, as cores e o movimento que as roupas ganham no corpo dos atores também marcam ponto positivo para a peça. A cenografia compõe-se de persianas, que são utilizadas o tempo todo durante os diálogos entre os personagens, cores e modelos fazem um cenário bem desenhado, além de todos os outros objetos que também configuram o lar de um contemporâneo casal. As músicas foram bem selecionadas, porém deveriam ser mais usadas nos momentos de clímax e sensualidade, onde neste momento sim, o diálogo diminuiria e a cena seria de expressões e movimentos, a trilha sonora é de Aline Meyer.

O programa, distribuído em impresso na bilheteria, tem tonalidades de cores bem trabalhadas nas imagens, porém os textos escritos pelos atores e pelo diretor são grandes e com uma expectativa de um bom texto de comédia, um entretenimento que não é tão cômico assim. O público não reage tão bem às tentativas de humor dos personagens, pois para mim a reação da plateia num espetáculo de comédia é rir, e isso raramente acontece com algumas pessoas que assistem “O Amante”. O Teatro Nair Bello fica dentro da Escola de Teatro Wolf Maya, onde há um barulho alto dos alunos na sala ao lado, assim vazando todo o som para a sala de espetáculos, isso atrapalha a concentração dos atores e a atenção do público.

A intenção do tema é ótima, falar das relações amorosas rende muito assunto, porém o que falta na peça é assunto que renda. A produção é de Sonia Kavantan, e produção executiva de Ricardo Fabbri. “O Amante” está em cartaz em São Paulo, no Teatro Nair Bello, até 29 de setembro, com valores de R$ 30,0 à R$ 40,0, de quinta e sábado 21h, sexta 21:30h e aos domingos 19h.

domingo, 12 de setembro de 2010

Ney Matogrosso lota show em 'Beijo Bandido'


Foi ontem anoite que Ney Matogrosso deu um dos mais saborosos de seus beijos, num show em que o título foi inspirado na música “Invento”, de Vitor Ramil, que também está no repertório, 'Beijo Bandido' já tem um álbum com 14 faixas e viajou para vários lugares, São Paulo recebeu na noite passada este mestre da mistura latina com a música romântica brasileira.

Com acordes de teclado e lindas notas no violoncelo e violino o show resume-se numa súplica romântica, os embalos de tango e num tom mais latino são tirados dos sons da percussão que levantam o público para dançar no passos sensuais de Ney Matogrosso. O diretor musical de 'Beijo Bandido', Leandro Braga, espalha pelo público arranjos contagiantes, enquanto a iluminação também faz seu show particular sublinhando o palco com azul, vermelho e verde, combinações que fazem um cenário bonito e elegante.

Ney não está fantasiado, mas veste o belo figurino de Ocimar Versolato, terno beje e camisa branca, o forro vermelho do paletó banha a cadeira quando o cantor o descansa sobre o encosto, além de fazer suas performances, um pouco mais contidas do que o comum em seus shows, sua voz ecoou maravilhosamente bem no Grande Auditório, do Parque Anhembi, mas uma opção de casa de show para São Paulo. O público compareceu em peso, cantaram muitas músicas e acompanharam o cantor cantando a letra inteira de 'Fascinação'. Ainda passaram pelas páginas do roteiro do show 'De Cigarro em Cigarro', letra de Luiz Bonfá, que ganhou um arranjo marcante pela percussão e violino, 'As Ilhas', de Astor Piazzolla e Geraldo Carneiro com seu acordes num tom de suspense, “Medo de Amar”, de Vinícius de Moraes, “Bicho de sete cabeças”, de Geraldo Azevedo, Zé Ramalho e Renato Rocha e “Segredo”, de Herivelto Martins e Marino Pinto tornaram a noite sublime.

A banda não é grande, mas é o suficiente para um espetáculo marcante, Leandro Braga (piano), Lui Coimbra (cello e violão), Ricardo Amado (violino e bandolim) e Felipe Roseno (percussão). O palco não está com aqueles cenários todos como do costume de Ney, um telão branco ao fundo do palco exibe imagens do cantor e recebe ainda um banho do show de luzes. Ele voltou mais de uma vez, após se despedir, e levantou o público cantando 'Mulher sem Razão', canção de Cazuza, Dé Palmeira e Bebel Gilberto, seu rebolado e expressões corporais completaram a grandiosidade artística do show.

Ainda fizeram parte do espetáculo musical de Ney Matogrosso, 'A Distância', de Erasmo e Roberto Carlos, 'A Cor do Desejo', de Ricardo Guima e Júnior Almeida, que lhe entrogou a música em Maceió, enquanto Ney fazia a turnê de 'Inclassificáveis', e 'Tango pra Tereza', de Jair Amorim e Evaldo Gouveia', que abriu o show. O público aplaudiu todas as canções e se manifestaram o tempo inteiro, enquanto Ney Matogrosso agradeceu e falou pouco com a plateia. A produção foi de Poladian, que permitiu aos paulistanos ganhar mais um 'Beijo Bandido'.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Oscar Filho de casa cheia no Stand up ‘Putz Grill...’


Ele já visitou mais de 70 cidades pelo Brasil, com mais de 100 mil pessoas nas plateias, agora Oscar Filho, o repórter do CQC, da Band, está no Teatro Frei Caneca, em São Paulo, com o stand up ‘Putz Grill...’.

Como todo stand up, está no palco o microfone com o pedestal, um banquinho e o comediante, pelo menos é isso que se espera de um espetáculo de comédia. Não é diferente em ‘Putz Grill...’, Oscar Filho aborda temas cotidianos, faz o público rir de coisas que talvez passem desapercebidas, sem vulgaridade nos termos ele mantém ponderação em todo o espetáculo.

O que mais chama a atenção para a desenvoltura artística de Oscar Filho são suas expressões, sua movimentação no palco, toda encenação de algumas coisas contadas por ele são hilárias, é isso que deixa o stand up bem mais engraçado. Eu, que já assisti ao Marco Luque, seu parceiro na Band, notei similaridades em algumas histórias, o roteiro algumas vezes aparenta o mesmo. Algumas piadas também se assimilam a de outros comediantes, que aplicam em seus shows, e essa é uma preocupação que os atores precisam ter ao construírem seu roteiro, o de assistir outros para não atropelar o texto com o de algum stand up já existente.

São bacanas as participações do público junto ao Oscar, tudo isso deixa as pessoas muito mais próximas ao texto, o que é tudo que o humor precisa. Piadas sobre televisão, filmes e propagandas sempre predominam nos espetáculos do ator, estes temas são muito bem desenvolvidos por ele. Já o assisti no Clube da Comédia, o qual ele ajudou a fundar, porém foi a única participação que eu achei válida, os outros atores ainda não encontraram a linguagem apropriada de um stand up, que é fazer rir.

Em ‘Putz Grill...’ o Oscar tem mais liberdade com o tempo para desenvolver suas piadas e interpretá-las, porém em cada tema demora-se muito, acredito que o stand up fica bem melhor quando ganha uma sucessão de piadas, assim o público não esfria. Sua linguagem é uma das melhores que se mantêm no stand up atual, o que tem deixado a casa cheia todos os sábados, 23:59h, no Teatro Frei Caneca. Os ingressos custam R$ 50,0.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

“Quem tem medo do Curupira?”, um folclore tipicamente maranhense


Está em cartaz no Teatro do SESI, em São Paulo, na Avenida Paulista, a peça “Quem tem medo do Curupira?”, um resgate ao folclore à moda maranhense, onde Zeca Baleiro estréia como autor. Os personagens menos falados do folclore voltam à cidade para aterrorizar os moradores, com muita música e batucada, e o melhor de tudo é que o espetáculo é gratuito.

Caipora, Iara, Saci, Boitatá e o destemido Curupira notam o esquecimento do povo da cidade pelo folclore, percebem que as pessoas podem já não sentir mais medo destes personagens e resolvem ir para a cidade assustar os habitantes. Cada um segue um rumo diferente, passam pela história ainda um pé de jacarandá que foge da cidade, um lenhador e um irreverente índio pop. Toda a peça veleja por músicas que ressaltam a percussão maranhense e as letras compostas por Zeca Baleiro, que estréia como autor maravilhosamente bem, claro que com algumas retificações de direção a serem feitas, porém nada que retire um mérito literário das mãos de Zeca.

A atuação de cada ator é tipicamente pueril, faz qualquer adulto tornar-se criança como espectador, a dicção, as expressões e os movimentos corporais fazem como se cada personagem se destacasse de um livro de histórias, porém com um tom bem contemporâneo, algo que sempre incentivo aos autores, inserir os temas atuais aos roteiros. A musicalidade proposta por Zeca é ótima, cada ator encaixa sua voz num tom doce, ou grave como o Curupira, que vem numa versão roqueira. Daniel Infantini, Danilo Grangheia, Flávio Rodrigues, José Renato Mangaio, Lavínia Lorenzon e Thais Pimpão formam um elenco jovem, que faz bonito em cena. Os movimentos no palco são acompanhados pelos batuques da percussão e o rústico de cada personagem.

A iluminação está muito bem desenhada, trabalho de Wagner Pinto, que leva cores de floresta, de cidade, e trabalha bem com a multimídia da peça, onde são projetados vídeos em telas que levam escapamentos pregados, transparecendo uma cidade e sua poluição, cenografia de Duda Arruk, que permite que a luz permeie pelos poros do fundo do cenário lançando feixes entre os personagens, a fumaça e todas as cores de luz fazem um palco impecável e futurista, deixando a história ainda mais contemporânea. Os figurinos de Isabela Torres e Edson Fraga são bem retalhados e costurados, aproveitados apetrechos de vestes cotidianas, bem como botas e meias, ornando com uma diversidade de cores fazem que os personagens sejam descritos de uma forma diferente do que se conhece nas histórias, o curupira não é verde, nem tem aqueles cabelos vermelhos esvoaçados, assim como a calda da Iara não existe, e o Boitatá também não remete logo a uma cobra, porém toda a fantasia que os atores vestem aproximam ainda mais o público a uma nova realidade, fazem que cada um de nós note o distanciamento do folclore e insere o roteiro realmente numa vinda recente destas histórias para a cidade.

O musical propõe uma viagem ao nordeste, com o som tipicamente soado no palco, a percussão é ao vivo, num carrinho que é movimentado para os dois lados do palco. A história ganha ainda mais vida e ânimo, o público interage com palmas e a melodia das canções ganha ainda mais entusiasmo. A direção musical é de Zeca Baleiro, que participa com uma projeção multimídia, cantando um rap, e de Érico Theobaldo. Neste dia, o qual assisti ao espetáculo, o microfone do Curupira, que é posicionado entre a testa e os cabelos, falhou, este não é um dos melhores microfones para personagens que exigem muitos movimentos, ainda mais quando maquiados e vestindo chapéus, ou perucas, pois o suor interfere nos poros do fone, assim os microfones dos outros atores tiveram que ter o volume reduzido para não destoar o som.

Débora Dubois assina a direção do espetáculo, aplicando uma boa desenvoltura artística e respeitando a particularidade de cada personagem dentro do folclore, porém a Iara está um tanto sensual demais, mesmo na pele de uma ótima atriz, acredito que a cena em que ela da um beijo poderia ser substituída por um beijo na testa, ou na bochecha, e não na boca, visto que a plateia recebe crianças. O espetáculo é recomendado para maiores de 10 anos, por conter gírias e uma insinuação do uso de drogas, claro que tudo trabalhado com total leveza e preocupação. A assistência de direção fica por conta de Elidia Novaes, coreografias de Deise Alves e Letícia Doretto e produção de Cenne Gots.

O espetáculo “Quem tem medo do Curupira?” fica em cartaz no Teatro do SESI, na Avenida Paulista, em São Paulo, até o dia 12 de dezembro, de sábado e domingo às 16h, e de quintas e sextas-feiras às 11h com reservas para escolas. A peça é gratuita, os ingressos devem ser retirados uma hora antes do espetáculo na bilheteria do SESI.