terça-feira, 21 de maio de 2013

Minha palavra mudou de endereço


Mais uma vez os caminhos mudaram e para um horizonte mais desafiador... claro, ainda melhor! De agora em diante os meus textos serão exibidos no site do Sidney Rezende (SRZD). Vou escrever pra mais gente, ganhei a oportunidade de, além dos 45 mil leitores, que nessa jornada me acompanham, em diversos países e estados brasileiros, ser lido pelo público deste importante veículo para a comunicação digital.

Dessa vez, o texto é curtinho... porque o restante vocês poderão ler em novo endereço.

Serão fundamentais os comentários e compartilhamentos feitos por vocês, pois, desta forma poderei continuar perpetuando nossa música e arte teatral por todos os cantos do mundo. Não deixem de comentar por lá e continuem acompanhando. Ah! Não exitem em enviar sugestões também!

Até lá! Espero vocês no: www.srzd.com.br


segunda-feira, 20 de maio de 2013

O fino e o frouxo da Virada Cultural de São Paulo


São Paulo parecia ter apagado as luzes de casa e saído às ruas. No palco da Estação da Luz um mar de crianças tomavam a frente do grupo Palavra Cantada e erguiam suas mãozinhas em aplausos. Mais adiante, Daniela Mercury cortava a fita de mais uma edição do evento mais cultural da capital paulista, e também um dos mais violentos. O que é uma pena, pois nem todos usufruem de seus próprios investimentos de maneira política.

Daniela desfilou o mais fino da bossa nova no palco em frente a monumental Sala São Paulo. Com o imenso relógio anunciando o tempo lá no alto da torre, Daniela pairava o silêncio com “Ave Maria” pelas barulhentas ruas da cidade. Terra que acolheu seu timbre debaixo do vão do MASP há tempos, quando sua carreira já apontava o notável sucesso. “O Canto da Cidade” apagaria as luzes do palco para Gal Costa tomar o posto. Mas... ops! O Senador foi roubado!

Eduardo Suplicy, atual senador de São Paulo, pelo PT, enquanto assistia ao show da baiana, teve sua carteira e celular roubados. A cantora levou-o ao palco e fez um apelo: “por favor, devolvam pelo menos os documentos do senador”. Apenas os documentos foram recuperados. Ele continuou ali, pois a maior voz do Brasil estava por subir ao palco.
Gal Costa passou uma navalha no tempo e colocou aquele mar de gente pra cantar a uma só voz. Quase o show “Recanto” inteiro foi apresentado, e a guitarra de Pedro Baby foi longe rua afora. Gal conversou com o público, deu esporro na imprensa que entrevistava convidados em frente ao palco, e entregou o microfone ao público para cantar “Força Estranha”. Caetano Veloso estava na voz de Gal, estava na boca do povo em “Baby”. Era como se voltássemos no tempo, e em torno daqueles festivais, tudo estivesse de volta. Gal incendiou a praça das músicas clássicas, com as sarjetas e as eletrônicas de Caetano.

A marola das maconhas, dos cigarrinhos e o cheiro do álcool químico baforava por jovens e trilhava todo o centro histórico. A repetição de todas as outras edições do evento. Brigas pelo caminho, arrastões com uma leva gigantesca de pivetes. Meninas mostrando tudo que poderia estar coberto, rapazes quase sem idade e quase sem vida. Mortos no bolso da cultura. São as pedras que qualquer rio tem que desviar. Faltou policiamento em diversos pontos, luz e olhos atentos. Faltou sensatez da mãe que deixa sua cria cuspida sair de casa, de quem não sabe o que é diversão, dinheiro público e o limite do outro.
Sidney Magal incendiou o palco no tradicional Largo do Arouche, onde outras atrações do brega arrastaram os pés da multidão. Fafá de Belém, no domingo, enxugou o último chão da Virada, com notas saborosas que deixavam seu poderoso timbre. Teve stand up comedy na Sé... mas achei melhor nem ir, foi uma decepção tamanha no ano anterior. Teve de tudo. Ângela Ro Ro e Wanderléa no Teatro Municipal e Jorge Aragão na Praça da República. Os redutos foram desmontados para darem lugar à música, ao teatro e às mais diversas intervenções artísticas. Nesses dois dias, os mendigos perderam suas marquises e os narcóticos desceram a ladeira. Espalharam-se entre nós.

Preferi o sossego. A tranquilidade pra deixar de lado a tensão dos arrastões e comas alcóolicos. Não foi no Piano da Praça Dom José Gaspar... fui ao Mercado Municipal, em plena madrugada, ao deleite do chopp ouvir chorinho. Ouvir a poeira sair dos bandolins. O pandeiro chorar e Bruna Rodrigues exalar o perfume de sua voz. No mesmo palco nascia a nostalgia daquela manhã ainda acesa pela lua... Roberto Seresteiro e o grupo Regional Imperial rasgaram as partituras de Noel, Orlando Silva e Vanzolini tirando do papel o som de suas serestas e choros. Uma voz de tornar qualquer sereno, e um baile de estrelas no céu ainda mais bonito. O rapaz que canta com as mãos e o sorriso no rosto, com os olhos calçados por debaixo do chapéu e a soberana lembrança das vitrolas e gramofones renascidos em seu gogó.
O dia estava por raiar e tudo continuaria. Os maus elementos teriam suas faces reveladas. As crianças despertariam os coretos. Os transportes carregariam mais ouvidos atônitos e olhares aguçados.

O dia nascia com Elza Soares e Gaby Amarantos amarrando a manhã com esplendor. A noite, mais uma vez cairia, desta vez com o Fundo de Quintal na República e uma fila extensa de bandidinhos na porta da delegacia.

Fotos: Bárbara Almeida / Riziane Otoni

sexta-feira, 17 de maio de 2013

“O Rei Leão” ganha versão brasileira e o destaque de melhor musical



Os olhos começam a pedir ao corpo toda a sensibilidade e iniciam uma intriga entre as pupilas e àquilo que desfila pelo público boquiaberto. É hora de lacrimejar, de paralisar, fica difícil até de aplaudir. Tem algo gigante descendo ao lado, tem algo muito belo lá em cima... tem uma voz vazando por entre as cortinas e ensurdecendo o silêncio. Um dos atabaques invocam a savana e a flauta rabisca o cenário de som, balé e cor. Eu estava diante de uma das coisas mais lindas que já vi em toda a minha vida! O Rei Leão não é só um musical... O Rei Leão é o coração pulsando fora da gente.

Num repente todos os animais tomam conta de todo o espaço do teatro, passam por nós e familiarizam-se com a arte como se dela tivessem nascido. Rafiki, interpretada por Phindile Mkhize, narra sua angústia, seus anseios, suas virtudes e visões com o canto mais envolvente que já presenciei em um musical. Ela está no palco fitando o público e ressurgindo à África em sua magnitude na arte.
Quem não conhece a história do Rei Leão? O Rei que perde o trono quando morre, em uma emboscada criada pelo próprio irmão Scar, irreverentemente traduzido por Osvaldo Mil. O príncipe, muito jovem, some na savana e após anos, em saber que sua terra foi destruída pelo tio que tomara o trono, volta para reaver a vida do pai. Esse jovem, ainda filhote, é interpretado por Matheus Braga (na exibição em que assisti) e é notável que o público não quer que Simba, o leãozinho, cresça, só pra continuar com aquela presença agradável e extremamente alegre e artística do ator mirim. Mas ele cresce, e Tiago Barbosa toma o papel com galhardia. Ele torna-se gigante no palco.

César Mello é Mufasa, o Rei Leão, um ator que por sua voz e expressão traz aquele desenho que marcou épocas de volta a um palco que até então parecia pequeno sob seus pés.

Timão e Pumba, são interpretados respectivamente por Ronaldo Reis e Marcelo Klabin. Zazu por Rodrigo Candelot. Sarabi por Renata Vilella, e a jovem Nala... que torna-se a mulher do reizinho por meninas que revezam-se no elenco. É um grupo de atores sensacionais. Que só não são maiores do que a própria arte, pois juntos formam o que mais belo exprime-se dela. É o melhor elenco que já vi reunido. Um elenco jovem, de cara nova... sem a chatice dos mesmos, que parecem apenas trocar de personagem. Vocês são a cara e o sentido do espetáculo.

Gilberto Gil dirigiu aqui o que Elton John criou. E a impressão digital deste baiano é evidente. Gilberto Gil tirou das páginas americanas o folheto mais belo de todos, deixou todas as cores de nanquim caírem sobre a suntuosidade africana e feito palmadas em um timbal berrar junto à miscigenação brasileira. Esse musical parece tão nosso... Gil é o responsável por isso.

É a entrada mais triunfal da cultura africana no Brasil... e no mundo.

Rachel Ripani traduziu o script e Gustavo Vaz dirige o espetáculo. Roberto Montenegro  dirige a dança e Vânia Pajares comanda as batutas sob a regência musical. Essa turma torna O Rei Leão íntimo da gente e as intervenções brasileiras casam-se com irmandade aos vibratos d’África. Aquela voz de Phindile vivendo Rafiki é um presságio de que o mundo ainda vai viver de cultura.
A gente não precisa mais ir até a Broadway pra ver grandes produções. O Brasil está escancarado pra isso. Que orgulho!

As coisas parecem não deixar de acontecer em tempo algum, em certos momentos turvam nossos olhos e fogem do controle de visão, pois estão acima, abaixo... na irreverência das hienas, no voo dos pássaros, nas passadas largas das girafas que curvam seus pescoços cumpridos ao público, no rugido dos leões. Todos os animais ganham o realismo dos movimentos, o jeito rústico da comunicação e o afeto entre os seus. Dão vida a um texto lúdico. E a gente vive aquilo tudo emprestando-nos à realidade fictícia.

Um baile de cores, de coreografias, de vozes... um coro extenso, movimentos em um compasso invejável a qualquer outro diretor. Um conjunto que ganha os corpos, um cenário quase real e a iluminação exata, com o clima da naturalidade. É o filme em 3D... é a inspiração do autor e a concepção da história em sua maturidade mais aflorada.

“Hakuna Matata” ganha as vozes da plateia... essa é uma frase em “suaíle”, idioma predominante na África oriental. A frase significa a distância entre os problemas. E problemas é o que não há durante o tempo em que vivemos uma das mais belas histórias da Disney dentro daquele teatro. O mundo isola-se naquele período.

O Rei Leão é um acontecimento perfeito!

O espetáculo está em cartaz em São Paulo, no Teatro Renault. Apresentado pelo Ministério da Cultura e Bradesco Seguros, com realização da Time For Fun, “O Rei Leão” é roteiro indispensável na capital. Os ingressos podem ser comprados na bilheteria do teatro e pelo site ticketsforfun.com.br. As apresentações acontecem de terça a domingo em diversos horários. Os valores variam entre R$ 45,00 e R$ 280,00 reais.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

A música instantânea: em 3 minutos está pronta para consumo imediato!


Estou correndo o risco de ser apedrejado pela turminha que compra essas mídias instantâneas, mas é o que paga-se pela opinião. O que posso dizer é que já deu, tá bem chato ver as milhares de visualizações a uns clipes no estilo novelinha mexicana e canções rabiscadas num diário de adolescente.

Tem gente enganchado na carreira dos outros, tem gente procurando a saia dos padrinhos e tem quem enfie-se na mídia de massa que já deixou de peneirar a programação há anos. Tipo esses pagodinhos e funkeiros que nem pra encherem as lajes dos churrascos eu admiraria.
Bater no nome do pai é fácil, o difícil é honrar a soberania do sobrenome. É dela mesmo que eu estou falando... Filha de Gilberto Gil e afilhada de Gal Costa, mas não vejo trilhar na linha tênue entre os dois grandes astros. Pra mim ela é só a Preta Gil. Que canta mal e que é chata. Virou pipoca de auditório da TV Globo, em tudo enfiam ela. Tá feito produto que serve pra tudo dentro de casa. Voz, letra e melodia passam longe. Mas tá lá, apoiada nas causas das minorias, ou maiorias, e enchendo casa de público. Isso pra mim nunca significou boa música. Vai ser difícil chegar aos anos de carreira, ao suntuoso repertório e ao seletivo público da madrinha e do pai.

Eles também gostam de regravar tudo que já salvou a musicalidade brasileira em tempos passados. Acham que um CD ainda pode fazer o mesmo sucesso que o vinil, que fazia, mas com a solenidade das vozes consagradas. Acho bem difícil Maria Gadu preencher todas as playlists do Globo de Ouro. Só se for o Globo de Ouro de hoje em dia, que convenhamos, está mais pra latão barato.

As rádios tornaram-se um grande escambo de lixo e dinheiro. Depositam nos falantes toda a catarse fora do genial e um bocado de propagandas chatas, que distanciam-se cada vez mais a genialidade da época de ouro também da publicidade. Mas, isso é outro papo.

Essa coisa do Filipe Catto regravar até Reginaldo Rossi, não é legal nem pro garçom que tem que ouvir tudo que toca no bar. “Garçom” é pro Reginaldo, não pra ele. Do resto do repertório eu até gosto. Mas não é bom sair por ai como a estrela do futuro. Porque o futuro está a Deus dará... falando-se de música.
Que coleções teremos no futuro? Será possível construir coletâneas do tipo Gal, Buarque, Bethânia, Caetano, Roberto, Erasmo, Rita Lee e tantos outros que são, hoje, obrigados a espremerem-se no meio desses doces de banquinha jovem? Não tenho nada contra jovem, eu sou um, mas não um desses fissurados pela marola da Tulipa Ruiz. Com todo respeito, mas eu acho ela bem chatinha.

Aquele CD que não é nem amarelo, nem laranja... aquela presença meia morta de palco e aquela voz sem expressão alguma socada num repertório insosso e impossível de passar pra segunda faixa. Tulipa Ruiz passa batido por mim, com aquele jeito de adolescente não desenvolvida... Pra mim é feito musica da molecada, claro, sem direito a pôster na parede, porque não dá, né?!

Thiago Pethit, não precisa nem passar pro francês... é pethit de pequeno mesmo. Não consigo digerir aquela má configuração de um todo. É o chato do chato! Falta tudo de um tudo... é algo que não é nada. Eu não conheço-o como pessoa, mas eu jamais queimaria um segundo de cigarro ouvindo seu violão e sua voz de fim de noite.

Eu gosto da Clarice Falcão, mais ainda do pai dela. Mas, ainda falta botar mais sebo nas canelas pra correr conforme o tempo... O repertório com umas palavras que parecem serem lidas e não cantadas, leva-me a crer que estou defronte a uma contadora de histórias. Isso não é um defeito, talvez seja uma qualidade. Mas, ela está no meio de uma legião de “cantores” e “intérpretes” que estão saindo de uma safra sem lote.

Não é tão difícil chegar e mostrar a que veio... não é difícil ser bom. Não está longe compor ou espelhar o gigantismo da música. Música é pra marcar e legislar épocas. Tem exemplo bom ai, tem Criolo e tem Mariene de Castro.
Tem uma que me dá preguiça e depressão... vontade de emudecer. Mallu Magalhães, essa fala por si mesma.

E não adianta dizer nada. Eles todos estão aí, com altas vendagens de discos e shows lotados. Mas também, só isso! Quero ver sair dos 3 minutos...

Não adianta, não vai nascer outra vez nenhum Tim Maia, nem Elis Regina. Tampouco outro Tom Jobim vai compor e tocar, ou algum Vinícius de Moraes vai poetizar. Nem quero que isso aconteça. Mas, daria pra fazer melhor do que o que estão fazendo hoje. Não enterra-se a música como estão fazendo. Nem é pra colocar no micro-ondas e em 3 minutos achar que está pronto. A música é macarrão instantâneo? Não né?! Porém, estão fazendo disso... mas, assim como é composta feito um macarrão instantâneo, também vai durar como tal.

A última agora é Vanessa da Mata cantando Tom Jobim... não poderia ser pior!