sábado, 26 de junho de 2010

“O Santo Inquérito”, de Dias Gomes, no Teatro Escola Macunaíma


Foram apenas três dias de apresentação, até ontem “O Santo Inquérito” do memorável dramaturgo Dias Gomes foi encenado como poucas vezes. O Teatro Escola Macunaíma, na Barra Funda, em São Paulo, organizou um festival, onde inúmeras peças se apresentarão até o final de julho, relembrando nobres textos , e neste meio foi que o intenso roteiro de Dias Gomes ganhou emoção e cena no corpo e na voz dos novos atores.

A peça retrata a inquisição na época de 1750, tendo como cenário épico o estado da Paraíba, onde vivia a lendária Branca Dias, que até hoje não sabe-se ao certo de sua existência, portanto falemos como lenda. A jovem é daquelas que sonham em casar, e o namorado, Augusto Coutinho, já tem pra isso, a permissão de seu pai. Ela era acostumada ao contato com a natureza, vestia-se com leveza e banhava-se sempre no rio. Numa de suas perambulações pelo rio, encontra Padre Bernardo afogando-se, após virar seu barco, onde levava as esmolas da igreja num cofre, ajuda-o e o salva – com respiração boca a boca e ainda oferece sua casa pra descansar e trocar as roupas – Padre Bernardo rejeita e agradece muito pelo gesto, a toma de perguntas sobre sua fé, seus costumes e sua vida. Seu avô era Novo Cristão - Judeu convertido à força, por falta de opção, ou se convertia ou morreria. Branca era incessantemente deturpada pela Igreja, quando passa a ser perseguida pela inquisição. O visitador, que vai à cidade julgar os casos de heresia, mostra sua rigidez e mata o noivo de Branca, o pai dela permite que isso aconteça sem nenhum protesto, enquanto sua filha permanece em sua verdade, com seus costumes, não se abdicando da fé, de sua casta e de Deus, porém a inquisição era severa e cega, parecia preferir a injúria por uma fé completamente desviada do que diz a bíblia, mas era de pessoas leigas que a igreja gostava, isso fica bem claro na peça, pois Branca lia livros de poesia e lia a bíblia em português, quando o latim era o idioma oficial da igreja para manter a ignorância de seus fiéis. Padre Bernardo vê-se envolto pela sedução, imagina-se nas circunstâncias mais íntimas com a moça e a culpa deste estímulo que o circulava afastando-a da forma que a igreja oferecia, ele a denúncia para a igreja que a julga, persistindo na presença do demônio em seu corpo, na sedução em seus atos, Branca Dias é queimada na fogueira.

A direção é de Márcia Azevedo e assistência de Márcio Rocha, o elenco de 17 atores se reveza até que todos participem dos mesmos personagens, por vezes há dois atores contracenando o mesmo personagem. As trocas de roupa são feitas no próprio palco, Branca de vestido, os guardas oficiais e toda entidade religiosa com suas batinas, tudo feito em frente ao público, divido em cadeiras na esquerda e na direita, tendo ao centro o palco, como uma arena. A iluminação ficou a desejar, faltou sensibilidade técnica e artística, quando não há cenografia, precisa-se manter um bom equipamento de luz e ensaios para passagens de iluminação, as entradas dos feixes eram muito secas, logo a luz explodia ao palco, quando deveria vir com leveza. O tom quente da luz dava o clímax à peça, mas esse foi o único acerto técnico do espetáculo.

Falar de humanismo numa peça requer inúmeros cuidados, mesmo tratando-se de atores de oficina, bem como entonação vocal, o que ainda precisa ser mais cobrado destes, na época, em que a história é passada, os corredores frios e as salas de julgamentos ecoavam a voz divina e ríspida dos guardas, os bispos tinham a face sisuda, os ombros recolhidos e as mãos meticulosas. Alguns gestos foram fielmente definidos por alguns atores que encenaram o visitador, porém outros não tiveram a mínima sensibilidade de rebuscar a história e levá-la para seu personagem, está aí também a importância de tomar o personagem a partir da hora que o veste no camarim, o ator precisa ter seu espírito disposto a dar espaço ao personagem. A respiração de alguns estava desarmônica, quando falava-se mais alto, quando alguma fala chamava um tom mais rude, havia dificuldade de se articular frases formais, atropelavam-se palavras e sopros de ar. Neste assunto é que aplaudo o ator Vitor Brunoro, que soube impressionar, e climatizar o ambiente com seu tom de voz, onde neste instante, certamente, o público sentia-se parte desta inquisição, quando assistiam aos berros de um julgamento.

Notava-se que alguns atores prendiam-se até as vírgulas do texto, o que atrapalhava a passagem de uma fala para a outra, um personagem é um homem natural, não é um pergaminho que fala, portanto na arena do espetáculo tem-se que preservar o texto sim, mas não com tanto nervosismo, tampouco com singularidade, é necessário manter a história nas falas, porém recriá-las também. Bom desenvolvimento corporal, feição, os rostos reproduziam os traços da época. A peça impressiona o público, cria a sensação de tristeza e indignação no público, o roteiro é ótimo e bem distribuído. Concentração bem trabalhada, dedicação também tinha, mas faltou um pouco para que as falas, a respiração, o significado que a peça traz, fosse melhor incorporado ao profissionalismo de um ator. Há um grave erro, o de atrasar o espetáculo, com meia hora, cansa o público e exausta o próprio ator. Além do ator Vitor, outros também merecem os aplausos, e certamente se destacarão bem mais cedo, desde o início as atrizes Stella Maris e Bruna Mariani mantiveram a sensibilidade da personagem Branca, tomadas pela emoção souberam colocar aos olhos do público essa emoção, e ao nosso corpo todo o arrepio e dor da personagem.

Não há como citar todo o desenvolvimento de cada ator, até por desconhecer alguns nomes, porém os aplaudo, assim como fiz na apresentação, fica somente o desejo de uma equipe técnica que os leve com mais sensibilidade aos palcos e ensaios mais rígidos para a perfeita encenação com outros personagens.

A peça não está mais em cartaz, porém vale a pena conhecê-la através de textos e quem sabe uma futura nova temporada, basta que o público cobre do elenco e o mesmo queira levar a diante este roteiro.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

“Estranho Casal” segue em cartaz em São Paulo com sucesso de bilheteria


Desde janeiro, em São Paulo, a peça “Estranho Casal” está em cartaz, com sucesso de bilheterias no mundo inteiro, o espetáculo já teve 922 montagens com cerca de dez milhões de espectadores. A comédia continua em cartaz no Teatro Renaissance atraindo uma diversidade de público para assistir a um discurso nada formal entre dois amigos solteirões.

Recém separado da mulher, Felix, interpretado pelo ator Edson Fieschi, se muda para a casa do amigo Oscar, vivido por Carmo Dalla Vecchia, que é um homem desleixado, solteiro também, vive na bagunça e à procura de diversões com mulheres. Toda sexta-feira os amigos se reuniam no apartamento de Oscar para partidas de poker, com a mudança de Felix, obcecado por limpeza, as coisas acabam mudando na rotina da casa e os dois amigos acabam parecendo um verdadeiro casal enquanto discutem suas diferenças.

As trocas dos elementos cenográficos são feitas de uma maneira bem interessante, à meia luz, apenas das luminárias das paredes do apartamento, os outros 4 personagens, parceiros de poker é que fazem a troca dos objetos da cena, retiram a mesa, põe a mesa, cadeiras e etc, tudo feito com muito humor para entreter o público enquanto a parte técnica é mesclada com a artística. Duas personagens ainda participam das cenas, onde Oscar tenta conquistá-las e ajudar o amigo Felix a sair da tristeza de sua separação.

A comédia tem uma boa pitada de humor, não tanto, mas tem, tudo depende a que o público relaciona, muitos ali já viveram situações parecidas, então quando o roteiro de uma comédia aproxima-se da realidade do espectador tudo torna-se mais engraçado, porém não deixa de ser um bom texto, com direção de Celso Nunes e adaptação e tradução de Gilberto Braga e peça de Neil Simon tem a sacada de pensarmos que o título remete a um casal gay, porém não é, e por isso é um estranho casal. O tempo todo a obsessão de Felix pela limpeza vai divertindo o público, enquanto Oscar o pirraça com suas porquices e desleixos. Por alguns instantes o assunto pode parecer redundante demais, a peça acaba se estendendo um tanto no assunto, mas não se perde no roteiro, o fio da meada é sempre retomado, ora com a agonia de Felix, ora com o incômodo de Oscar.

A cenografia de José Dias não deixa duvidar que estamos diante de um apartamento no 12º andar, podem haver falhas em alguns batentes e na pintura, porém alguns retoques devem ser refeitos em outras apresentações, levando em conta que no transporte dos elementos cenográficos algumas partes acabam machucando, mas tudo foi bem caprichado e desenhado conforme uma sala de estar e as entradas para outros ambientes. A profundidade de cada local, bem como varanda, quartos, cozinha e banheiro, é bem trabalhada, dando melhor imaginação ao espectador. Os efeitos sonoros ainda são um pouco amadores, os barulhos não são tão bem ecoados, acabam perdendo a sensibilidade do que é real, para o que sai de uma caixa de som. Paulo César Medeiros foi criterioso na iluminação e soube usar com poucas cores o essencial para um apartamento e para o jogo de luzes na troca dos objetos do palco. O figurino elegante de alguns personagens e o despojado de outros caracteriza muito bem a personalidade de cada um, Ney Madeira, soube colocar a cada personagem o corte ideal para seu perfil.

Recomendo “Estranho Casal” a todos que querem se divertir com o convívio de dois diferentes amigos, algo de cotidiano, mas que é engraçado quando visto dentre quatro paredes. A peça segue em cartaz no Teatro Renaissance, no próprio hotel, na Al. Santos 2233, em São Paulo, de sexta a domingo com ingressos entre R$ 70,0 e 80,0 até agosto.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

“Gloria Gaynor” relembra grandes sucessos em turnê pelo Brasil


Na última quarta-feira (09), no HSBC Brasil, em São Paulo a grande estrela da música dos anos 70 e 80, Gloria Gaynor, fez show relembrando inúmeros sucessos que marcaram época. O show marcado para as 22h atrasou 30min, porém nada que deixasse os fãs irritados, as opções de vinho, drinques e petiscos da casa deixaram o público à vontade.

Gloria veio ao palco convidando o público a cantar I Am What I Am, soando a mesma grandiosa voz de há 30 anos atrás. Mesmo com 60 anos, seu fôlego ainda se mantém o mesmo, Gloria está mais polida no palco, porém a voz ainda é a mesma que sempre embalou as festas e eventos pelo mundo inteiro. Com 20 discos lançados ela ainda é um dos maiores sucessos de sua época e trouxe de presente para o público paulistano Never Can Say Goodbye, primeiro sucesso de seu disco music.

No palco a banda e Gloria Gaynor, a cenografia fica por conta das luzes, porém os canhões movimentam-se aleatoriamente voltando inúmeras vezes feixes de luz para o público, o que acaba atrapalhando a visão. Três backing vocal também marcam com exuberância suas vozes acompanhando Gloria até com dueto. Em entrevistas a programas de televisão no Brasil, a cantora norte-americana declara sua paixão pelo país latino, e no show agradece São Paulo calorosamente, até mesmo recebendo o público no camarim.

Entre os sucessos relembrados no show destacam-se canções inesquecíveis e repassadas com um arranjo próprio passando harmonicamente pelas cordas da guitarra, Every Brath You Take, do The Police. Também I’ll Be There, de Michael Jackson fez todo mundo cantar junto. Gloria deixou para o final sua imortal música, que acabou virando ícone para movimentos gays e até um hino, indispensável tocar em qualquer boate ou festa, I Will Survive, uma das músicas mais famosas do mundo levantou muita gente para dançar e a cantora ainda disse, numa transição de ritmo em que a música foi dividida, que há 30 anos ela canta essa música, mas como sobrevive ela não sabe.

Nesta sexta-feira Gloria Gaynor se apresentará no Vivo Rio, no Rio de Janeiro e no sábado na Arena Vitória, em Vitória.

terça-feira, 8 de junho de 2010

"10 Maneiras Incríveis de Destruir seu Casamento" de volta aos palcos, no Teatro Folha


De volta aos palcos o espetáculo "10 Maneiras Incríveis de Destruir seu Casamento" mostra no revezamento de 31 divertidos personagens as mais irreverentes formas de acabar com um casamento, enquadrando-se ao humor contemporâneo com bastante originalidade, com os atores Eduardo Martini, Luciana Riccio, Vivi Alfano e Bruno Albertini.

A peça está em novo palco, muito melhor, em localização e espaço, além de um dia alternativo, muito bom para trazer humor logo no meio da semana. Às terças-feiras, "10 Maneiras Incríveis de Destruir Seu Casamento" fica em cartaz, às 21h, no Teatro Folha, no piso da praça de alimentação do Shopping Patio Higienópolis, em São Paulo.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Diogo Portugal em cartaz com a comédia “Senta Pra Rir”, em São Paulo


O humorista Diogo Portugal está em São Paulo, no Teatro das Artes, no Shopping Eldorado, com o show de humor “Senta Pra Rir”, depois de sucesso em Curitiba, sua terra natal, ele volta à capital paulista para, mais uma vez, encher o teatro de gente e de risos.

Diogo recebe convidados durante a temporada para fazer o chamado humor de cara limpa, onde não se usa nenhuma caracterização para fazer o público rir. Os temas cotidianos tornam-se comédia em qualquer um dos personagens que Diogo interpreta, pois a cada espetáculo o hilário porteiro Ediomar, interpretado pelo humorista, leva divertidas expressões e histórias para o público. Diogo Portugal já interpretou diversos outros personagens na TV Globo, no programa Zorra Total, e já marcou presença diversas vezes no Programa do Jô. O mais famoso de seus personagens é o office-boy Elvisley.

O humorista é um dos maiores sucessos de visitas aos seus vídeos na internet, com mais de 23 milhões de acessos. Diogo já esteve em cartaz com 3 diferentes espetáculos, inclusive no Japão. Senta Pra Rir é uma interação com o público, é muito difícil alguém escapar das risadas. O show de humor já recebeu diversos apoiadores e já se apresentou outras vezes em São Paulo.

Toda quinta-feira às 21H30, o espetáculo está em cartaz no Teatro das Artes, em São Paulo, no valor de R$ 40,00. Vale a pena conferir.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

“Escola de Mulheres”, mais uma comédia clássica de Molière nos teatros


Estreou em março, no Teatro Vivo, em São Paulo, a peça "Escola de Mulheres", de Molière, um famoso dramaturgo francês. Com direção de Roberto Lage e tradução de Millôr Fernandes o texto de mais de 350 anos ainda é assunto para roteiro, e sem dúvidas retrata bem o autoritarismo, individualismo e a relação entre mulher e homem.

Na época em que foi escrito, o texto tinha mais ênfase política, porém, mesmo com a revitalização do roteiro, há temas que não podem ser adaptados, pois ainda permeiam por entre os humanos, como o querer sempre se dar bem, em detrimento de outras pessoas.

Arnolfo, vivido por Oscar Magrini, não suportaria a idéia de ser enganado por sua suposta esposa, a qual mantém enclausurada em sua casa, assim durante anos preferiu não se casar, para cometer aquilo que temia ser-lhe cometido. Arnolfo saia com mulheres já comprometidas e achava-se o grande conhecedor dos adultérios e de seus motivos. Ele tem como criados Alain, interpretado por Geraldo Franco e Georgette, pela atriz Cris Bonna, dois irreverentes personagens que divertem o público com seus trejeitos e costumes. Arnolfo criou uma mulher, desde muito pequena, Inês, vivida por Thais Pacholek, para que crescesse uma moça submissa, honesta, ignorante e dependente, uma jovem de completa inocência. Porém, Inês apaixona-se pelo jovem Horácio, interpretado por Erick Marmo, que é filho do grande amigo de Arnolfo, o velho roceiro, porém muito rico, Oronte, vivido pelo ator Flavio Faustinoni. Contudo, não consuma-se um adultério, visto que Inês e Arnolfo nem chegaram a se casar.

A clássica comédia tira risos do público pela sua inteligência, claro, falando de Molière não há como não citar sua inteligência para fazer o público rir, desde a época de suas escritas. Há uma grande filosofia ao se falar de mulher, e grande comédia ao tratar dos assuntos conjugais, quando exacerbados por critérios como os de Arnolfo. O cenário é dinâmico e acompanha uma luminosidade baixa e quente, com o calor das relações, mesmo tudo sendo tratado com leveza, a intensidade da luz dá o tom de paixão às cenas. As placas cenográficas são artísticas, relembram pinturas da época e deixam o palco singelo, e ao mesmo tempo elegante quando pisado pelos nobres figurinos, que de costura à costura relêem os trajes sociais clássicos.

O espetáculo encerrou sua apresentação no Teatro Vivo, no Morumbi, no dia 30 de maio, porém segue em cartaz em Campinas, de 4 a 27 de junho, no Teatro Shopping D. Pedro, e de julho a agosto em São José dos Campos.

“Peter Pan” e a Terra do Nunca apresentou curta temporada em 3D no Brasil


Na semana passada, no HSBC Brasil, em São Paulo, o musical de Peter Pan encantou o público com mais um espetáculo da Disney, desta vez com vídeos em 3D, 27 atores, 40 personagens e mais de 180 figurinos. Com cenários giratórios e 15 trocas de palco a história baseada no livro de James Matthew Barrie é dirigida no Brasil por Billy Bond, que escolheu uma menina para fazer o papel de Peter Pan.

Billy apostou em Luana Martins, de 20 anos, para viver Peter Pan, porque o espetáculo conta com números de vôos, e relata que a postura de uma mulher facilita na hora de voar. Um grande navio traz 40 piratas ao palco, inclusive o Capitão Gancho que crava lutas para capturar Peter, um garoto que nunca envelhece e leva uma turma de amigos para conhecer a Terra do Nunca, tudo isso com a ajuda da fada Sininho.

A iluminação da o clima de suspense, aventura e ação, foram 10 toneladas de equipamentos e tudo se iniciou com 200 pessoas, entre produção e atores para levar o espetáculo aos palcos. A Black & Red produções é que realizou a apresentação de Peter Pan no Brasil, que também já trouxe para os palcos daqui O Mágico de Oz, Pinocchio e A Bela e a Fera.

O HSBC Brasil apresentou Peter Pan entre os dias 22 à 30 de maio, com ingressos entre R$ 60,00 à R$ 160,00 e fez pais e filhos se encantarem com a história ao vivo.

“Miúcha” relembrou Tom Jobim na série In Concert, no Clube Hebraica


No último sábado, junto à Orquestra Filarmônica Brasileira, regida pelo maestro León Ralegua, a famosa cantora da mpb “Miúcha” cantou o inesquecível e romântico repertório de Tom Jobim, que envolvia qualquer um com suas imortais músicas, muitas em parceria com o amigo Vinícius de Moraes, que também foi homenageado pela série In Concert, por Toquinho, shows organizados pelo Clube Hebraica, no Teatro Arthur Rubinstein, em São Paulo.

Miúcha relembrou histórias entre ela e os amigos Tom e Vinícius, além de seu irmão Chico Buarque, com quem Tom Jobim, mesmo com toda amizade, compôs apenas uma música, Eu te amo, de Tom, transcrita em francês, Dis-moi comment, por Chico Buarque. A cantora contou das reuniões na casa de Vinícius, em Ipanema, e da paixão que Tom tinha pelo Rio de Janeiro. Da música que nasceu de uma carta que Vinícius endereçou a Tom, e que começava logo no envelope, Carta ao Tom 74, fala do Rio e dos tempos da Bossa Nova.

A cantora conta que sempre antes de se apresentar vai ao palco, quando ainda não há ninguém no teatro, e anda por ele. No dia deste show, quando estava entrando ao palco notou que o arpista da orquestra ensaiava, e que foi um grande aviso de que aquele seria um show inesquecível ao Tom. Tantas músicas nos deixaram nos tempos de bossa, parecíamos estar naquele bar de Ipanema, o Veloso, hoje Garota de Ipanema, onde nasceu a música dos parceiros. Canções como Chega de Saudade, Águas de Março e Pela Luz dos Olhos Teus ainda saborearam o espetáculo, além de Wave e outras que foram instrumentadas pela orquestra. Um lindo momento foi ao início, enquanto a orquestra tocava, no telão ia sendo desenhado o chapéu de Tom Jobim, depois seu rosto.

Além de cantar, Miúcha interpretava as canções, demonstrava em seu rosto alegria de cantar as composições do amigo, e ao final cantou a mesma música que abriu o show. A série In Concert já relembrou Vinícius de Moraes, com interpretação de Toquinho, e ainda trará Paulo Ricardo cantando composições de Cazuza, em outubro e Daniela Mercury cantará Dorival Caymmi.

domingo, 30 de maio de 2010

Mais “Acesa” do que nunca, Alcione lança seu novo álbum


Em cd e dvd a cantora com o timbre mais inconfundível e marcante da música popular brasileira, especificamente do samba, lança pelo Brasil todo seu 34º álbum, “Acesa”, que veio para incendiar o público, com muito romance e molejo maranhense.

Nos dias 25 e 26 de maio Marrom escolheu o imponente e lindo Teatro Bradesco para lançar seu álbum em São Paulo e sacudiu o público com um repertório eclético, bem como músicas da roqueira Rita Lee, que Alcione revela que cantava enquanto tomava banho, assim como músicas de Angela Maria. Composições de seu grande amigo Arlindo Cruz também não ficam de fora, e o show ainda traz sambas de sua terra, o lindo Maranhão.

Marrom traz boa parte de sua família na banda que faz um bom samba no palco e relembra músicas que caíram no gosto do público que sempre as pede, como Estranha Loucura, A Loba e outras que fazem todo mundo cantar.

A voz de Alcione é incomparável e sem dúvidas uma das que mais retratam o Brasil e seu samba. Marrom recebeu Wilson Simoninha no palco, que também canta com ela no álbum a música Chutando o balde, de Nei Lopes. Na gravação do dvd, no Maranhão, Marrom recebeu também o Grupo Revelação.

Este foi um show elegante e musicalmente clássico, até Louis Armstrong foi relembrado pela sambista, quando ela intercalou o sopro de seu trompete a sua imponente voz. Alcione continua sua turnê pelo Brasil e vale conferir o show.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Fabiana Karla é "Gorda", no Procópio Ferreira


Após apresentar a peça “Gorda”, de Neil Labute, no Rio de Janeiro, Fabiana Karla fica até junho em cartaz em São Paulo com o espetáculo, no Teatro Procópio Ferreira. Quatro atores retratam no palco o discurso do preconceito contra os gordos, com um cenário móvel e figurino elegante.

Porém é o pouco que se tem a dizer de positivo apresentado pela peça, o tema é positivo, é importante se discutir o preconceito, sim. É importante. Porém não é interessante um texto óbvio, sem nenhum clímax, uma comédia ou um drama? Fica difícil distinguir, porém mais me lembrou um drama, pois as pitadas de comédia são poucas e ligeiramente engraçadas, nada que possamos sair contando para outras pessoas por aí. O sucesso de público não sei se é tão sucesso assim, pelo menos não vi o teatro lotado, nem cheio. Ocupavam-se as primeiras fileiras do Procópio Ferreira, que é grande, mas já o vi muito mais cheio. Acredito que o que mais atraí o público a assistir “Gorda” seja o sucesso da atriz Fabiana Karla no programa Zorra Total, da TV Globo e mesmo assim sua desenvoltura na peça é frigida, é mecânica e de inteira artificialidade, os movimentos de Fabiana são muito ligados aos ensaios, certamente, os olhares parecem preocupados com aquilo que está se fazendo, os outros atores até conseguem se sair melhor.

Fabiana Karla interpreta Helena, que se apaixona por um executivo, Tony, por Michel Bercovitch, que tem vergonha da moça, a qual também se apaixona, por ser gorda e pelo receio de apresentá-la aos amigos cria uma série de atritos emocionais. Flávia Rubin e Mohamed Harfouch completam o elenco como também dois personagens preconceituosos, ligados às imposições estéticas da sociedade. Algo me impressionou sim, ao fim da peça, que as vezes parece não ter fim, Helena e Tony choram ao se separarem, e essa foi a única coisa natural que vi na interpretação da peça. E mesmo quando fazem os agradecimentos ao público as lágrimas ainda permanecem nos olhos.

Traduzir um texto americano é muito arriscado, Neil Labute pode até ter sido bem falado por jornais, por críticos, por outras pessoas em lugares onde a peça foi apresentada, mas acho que não passam de textos frios também, apenas informativos, sem percepção artística daquilo que se assistiu qualquer um pode escrever qualquer coisa, sem fundamentos. Minha crítica é à interpretação e a encenação do texto, o diretor Daniel Veronese talvez não tenha trabalhado com mais dinamismo e clareza o equilíbrio da comédia e tragédia nos ensaios do texto, pois a graça perde para a tragédia, que é tão óbvia e sem solução. Que existe o preconceito, todos nós sabemos e vemos a todo instante, mas e... o que se pretendia com isso na peça não fica claro, nem existe. A altura do som acaba assustando alguns espectadores, no intervalo da troca de cena, por um cenário muito simpático, um som é inserido ao instante, porém descontroladamente, alto demais. A iluminação ainda me pareceu muito pouca, a praia nem me lembrava praia, de tão mórbida que ficou, a cena da lanchonete é cansativa, sem texto quase. Enfim, gosto muito do elenco, mas nenhum pouco do texto e da interpretação. Talvez fosse melhor não ter estendido o espetáculo para junho.

A peça “Gorda” está em cartaz no Teatro Procópio Ferreira, em São Paulo, na Rua Augusta, de sexta à domingo. Os ingressos podem ser comprados pela Ingresso Rápido, onde os preços vão de R$ 60,00 à R$ 70,00.