quarta-feira, 15 de junho de 2011

Wolf Maia tem nova página em seu pior script


Na última quinta-feira (9), o ator e diretor Wolf Maia foi condenado pelo crime de injúria, cometido em 2000, enquanto estreava a peça “Relax... It’s Sex”, em Campinas. O técnico de iluminação Denivaldo Pereira da Silva moveu uma ação contra o Wolf, alegando que foi vítima de racismo ao ter sido chamado de “preto fedorento que saiu do esgoto com mal de Parkinson”. O diretor foi condenado a dois anos e dois meses de prisão, mas pôde optar por indenizar o técnico em 20 salários mínimos e um período de trabalho comunitário. Será que alguém com tamanha tirania moral saberá motivar um trabalho à comunidade?

Wolf Maia tem uma escola de atores em São Paulo e recentemente participou da série “Lara com Z”, ao lado de Suzana Vieira. Não vou tecer nenhum comentário sobre alguns de seus fracassos, pois desta vez espero que a cultura volte-se contra ele. Wolf, em sua fala infame, mostrou-se incapaz de participar da cultura de um país miscigenado, ou até mesmo de dirigir uma escola de atores. Certa vez ouvi da sábia Dercy Gonçalves que escola não forma ator, uso suas palavras para acertar um “martelo” sobre os palcos de Wolf.

O papel de um diretor de teatro deve ser articular o espetáculo e conduzi-lo de forma harmônica. Como será que Wolf ensina os alunos a tratarem técnicos de iluminação? Segundo o diretor, a estréia não saiu como desejava, descarregando sua fúria pérfida na equipe. O fracasso de uma estréia deve-se em grande parte ao fracasso do diretor.

A arte de encenar tem perdido espaço para a arrogância e aos lucros financeiros. Peças sem sentido algum, nem um roteiro bem estruturado têm levado aos bolsos dos atores e diretores o prestígio, que poderia vir aclamado por aplausos do público. Espero que as platéias de Wolf migrem aos espetáculos devera culturais, pois drama se faz com respeito à história que o teatro pautou no tempo.

terça-feira, 17 de maio de 2011

“O Fantasma da Máscara”: musical adaptado com ótima brasilidade e humor


O Teatro Raul Cortez, em São Paulo, recebe a peça “O Fantasma da Máscara”, texto de Vitor Louis Stutz, com direção de Rosi Campos. O musical tem bela performance, dança e músicas coreografam muito bem o texto, além da linguagem clara, moderna e pueril.

Há tempos eu não via um texto infantil adequado à classificação livre, ultimamente tenho assistido coisas horríveis direcionadas às crianças. “O Fantasma da Máscara” trata com leveza um livreto dramático e clássico, da livre adaptação de O Fantasma da Ópera. O musical exibe cores reluzentes em figurinos e compartilha com o público um ótimo entusiasmo dos atores em cena. Rosi Campos, com o musical, explica a ideal forma de dirigir cenas voltadas ao lúdico infantil, o que deveria ser aplicado a outros diretores que, ao invés de colorir, assombram. O espetáculo teve um atraso de 30 minutos, que independente do motivo, não justificado, foi desrespeitoso e fora dos padrões que um espetáculo deve seguir.

Belinha, vivida pela atriz Cristina Cândido, que no dia substituiu Lisah Martins, é uma cantora lírica muito famosa, ela sofre um sequestro liderado por Dilma (Naíma), assistente do Fantasma. A cantora, no dia de seu aniversário, recebe um presente de seu irmão Zeca (Pedro Bosnich), comprado na loja de Pierre (Alexandre Pessôa), um francês ganancioso que dá início a série de confusões que caracteriza o humor do espetáculo. Beto Marden interpreta com modernidade o Fantasma da Máscara, usa de tiradas políticas, muito mais compreensíveis pelo público adulto, e protagoniza razoavelmente um tirano atrapalhado. No musical também participa a personagem Helena, vivida por Luciana Milano (standing), uma enfermeira que surgirá após o suspense do texto.

Cristina Cândido atrai por sua intensa voz, além de graça e concentração em cena, enquanto Beto Marden responde ao suspense com sucessivas cenas atrapalhadas e com um terror controlado para a classificação etária. Cacos e ironias podem construir bem um roteiro, desde quando tratados com rigor. Beto, em dado momento, menciona a personagem Dilma como “cachorrona”, fazendo alusão às letras de funk, porém este é um caco desapropriado para o texto, mesmo com a resposta cômica de Naíma, em sua personagem. Todos os atores envolvem-se bem ao texto e contracenam de forma correta, porém, o que era fundamental para Pedro Bosnich fica a desejar, falta mais fôlego à voz do ator, que destaca-se melhor na produção.

O autor das coreografias, que limitam-se a atores, e não retratam tanto balé e dança, é Jarbas Homem de Mello, que trabalha muito mais o movimento dos atores e deslocamentos no palco. O cenário de Ciça Gut é dinâmico e prático, visto que ao fundo do palco Osiris Junior implantou um cenário digital. Laura Figueiredo é responsável pelo ótimo desenho de luz, que infantiliza e envaidece o clima de suspense e humor proposto pelo espetáculo. Os figurinos de Livia Schurr e Pedro Bosnich, que também assina a direção de produção, refletem com beleza as luzes e colorem o palco movimentando perfeitamente as cenas, com a bela composição das maquiagens de Chloé Gaya. A trilha sonora de Charles Dallas e Walter Junior é memorável e muito bem ritmada.

O musical “O Fantasma da Máscara”, em cartaz no Teatro Raul Cortez, em São Paulo, tem duração de 70 minutos, perfeito para seu público. A realização da BM produções é apresentada pela Porto Seguro, assídua na cultura, e pela Fini. Os ingressos à R$ 40,0 (meia-entrada R$ 20,0) estão à venda na bilheteria do teatro ou pela internet com a Ingresso Rápido, para apresentações aos sábados e domingos, às 16h.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Onze Homens e Uma Sentença, agora sem Zé Renato


Onde eram Doze Homens, no drama de Reginald Rose, dirigido por Eduardo Tolentino, agora são onze, Zé Renato deixou a trupe para a poltrona do espectador. O homem que nos fez rir, hoje mistura o sorriso às lágrimas de saudades. Não veremos mais em cartaz José Renato Pécora, que nesta noite, quando ia para sua rotineira viagem ao Rio de Janeiro, faleceu antes mesmo de embarcar no ônibus. Zé Renato gostava de viajar de ônibus sempre pela noite, assim chegava ao Rio enquanto amanhecia o dia, este era um de seus grandes prazeres.

Zé Renato foi amigo da arte, fundador do Teatro de Arena ele voltou recentemente aos palcos com o espetáculo “Doze Homens e Uma Sentença”, recomendado e premiado. O ator fazia parte do grupo Tapa, que hoje sente a falta de um amigo, de um personagem que não terá mais a voz de um grande ator, de um homem que realizava a arte de encenar e a amava. Com 85 anos de idade, José Renato Pécora entrou para a enciclopédia do teatro, em 1958 Giafrancesco Guarnieri deu-lhe a direção de seu texto “Eles não Usam Black-Tie”, que falava sobre uma greve operária e fazia reflexões sobre o ser humano. Ainda passaram por sua direção textos de Augusto Boal, Nelson Rodrigues, Oduvaldo Vianna Filho, Chico de Assis e Dias Gomes.

O ator foi o primeiro aluno da Escola de Artes Dramáticas, em São Paulo, assim ao terminar o curso propôs o formato de arena para espetáculos. Zé Renato apresentava peças em ginásios e escolas e até atuou para uma platéia de ministros e o presidente Café Filho, no Palácio do Catete, a peça “Uma Mulher e Três Palhaços”, ao lado de Eva Wilma e grandes atores, que ganhou duas páginas no Jornal O Cruzeiro. Ele ainda foi ousado, e administrou o Teatro Ruth Escobar, em São Paulo, que hoje vive seus dias de pena.

Zé era um boêmio de músicas, de piadas e de rir delas. Um infarto o levou para a platéia eterna, onde outros grandes atores aguardam que se abram cortinas para mais respeito e dedicação ao teatro. Algum tempo antes de sua morte, Zé Renato foi ao programa do Jô, onde aclamava patrocinadores a peça “Doze Homens e Uma Sentença”, em cartaz no Teatro Imprensa, em São Paulo, com temporada prevista até Junho.

Zé Renato completava o verdadeiro “teatro de atores”, era o ator que se impunha ao centro de uma arena para encenar a sua volta, permitia com sua idéia, similar a um picadeiro, que todos pudessem visualizar o espetáculo em todos os ângulos, popularizando a arte da cena. Ao engenheiro do teatro, ao sorriso do humor e ao sentimento do drama ficam meus aplausos em luto.

sábado, 2 de abril de 2011

Maria Bethânia empresta a voz para a música e a poesia


Acompanhada de Jaime Alem, no violão e Carlos César, na percussão Maria Bethânia volta aos palcos do teatro emprestando a voz às palavras. Música e poesia costuram uma leitura ininterrupta, “Iansã” é saudada no início da leitura pela canção de Gil e Caetano, enquanto o som do atabaque ascende ao palco com luzes delineando “Bethânia e as Palavras”. A leitura foi criada na Universidade Federal de Minas Gerais, especialmente para mestres e alunos de escolas públicas. Entre tantas lindas palavras, exaltações à educação resumem a intenção do espetáculo, junto ao resgate aos tão importantes e nobres poetas.

Vestindo casaco branco, celebrando Mãe Menininha do Cantuá, sobre o vermelho de Santa Bárbara, Maria Bethânia une todos os seus grandes poetas para conversarem ao som do batuque, da viola e de seu inigualável timbre. Seus três reis magos, Guimarães Rosa, Fernando Pessoa e Dorival Caymmi encontram-se em músicas e poesia, versos e citações, cruzando entre Brasil e Portugal, além do São Francisco de Roberto Mendes e Capinam, em Águas e Mágoas de Carlos Drumond de Andrade. Passeando pelos trilhos da literatura Villa Lobos e Ferreira Gullar fazem a voz de Bethânia vislumbrar o “Trenzinho Caipira”, com o “Comboio Malandro”de Antônio Jacinto, “Vou danado pra Catende”, de Ascenso Ferreira e “Trem de Ferro”, de Manuel Bandeira.

Dona Canô é homenageada com sua imagem projetada ao fundo do palco, onde o único cenário de Bethânia é a voz, pois para uma intérprete se faz necessário o timbre que lhe contempla. “E Depois de uma Tarde”, de Clarice Lispector finda a noite poética junto aos heterônimos de Pessoa, às canções de Chico Buarque e os arranjos fantásticos do maestro Jaime Alem. Encontrar com “Bethânia e as Palavras” é estar aos batuques de uma festa na casa de mãe Canô em Santo Amaro da Purificação, para quem esteve a “Ladainha de Sto. Amaro”, poema de sua irmã Mabel Veloso, é capaz de nos fazer ouvir e caminhar pelas ruas do recôncavo baiano sobre os ladrilhos e terras.

Os poetas Castro Alves e Vinícius de Moraes explodem amores e pátria no mesmo cenário de Moraes Moreira, que fala de Luzia, de Lusíadas, e da canção “Sonhei que estava em Portugal”. Bethânia revela-se poeta e compositora, conta através de versos próprios sua vida em Santo Amaro, na família e na escola. O “Berimbau”, de Manuel Bandeira e “João Valentão”, de Caymmi santificam a Bahia em nossa história. “Romaria”, de Renato Teixeira e “Cálice Bento”, vestem o “Poema do Menino Jesus”, de Alberto Caeiro, um dos heterônimos de Fernando Pessoa, capaz de tocar e enxugar lágrimas de emoção.

“Uma Canção Desnaturada”, de Buarque, “Quero Ser Tambor”, de Craveirinha, “O Poeta Come Amendoim”, de Mário de Andrade, “Jenipapo Absoluto”, de Caetano Veloso e “Abc do Sertão”, de Luis Gonzaga completam o livro de poesias de um dos mais lindos espetáculos que eu já vi em todos os tempos. A Icatu Seguros patrocina a leitura “Bethânia e as Palavras”, incentivada pelo Ministério da Cultura. As notas dos violões e o embalo do atabaque abrem aos orixás o templo de Maria Bethânia e seus versos, aos educadores e educandos, e a todos os amantes das palavras. A canção “Ronda”, de Paulo Vanzolini despede-nos de toda poesia e música. A leitura esteve em cartaz por três dias no Teatro Faap, ao preço de R$ 60,0 ou R$ 30,0 meia entrada, ou mediante doação de um livro. Bethânia segue com o espetáculo para Porto Alegre e Curitiba. Foto: Daniel Marcusso; Foto: Divulgação; respectivamente.

domingo, 27 de março de 2011

“Labutaria”, Marco Luque em cinco personagens


Estreou no dia 23 de março, no Teatro Frei Caneca, em São Paulo, a comédia “Labutaria”, com o ator Marco Luque interpretando 5 personagens da sua gaveta de humor. O espetáculo conta com recursos audiovisuais, que casados com a agilidade do ator e produção prendem o público a 90 minutos de bastante comédia. Entre os personagens, Betonera, um ex-instrutor de acampamento interage comicamente com a plateia, assim como Mary Help, a faxineira que já foi mais hilária, mas que depende de um novo texto para a personagem.

Marco Luque sobe ao palco trajando uniforme de produção, com uma voz característica de alguém hiperativo, na pele de um personagem de peso exercitando o humor do público. Betonera, o ex-instrutor de acampamento, arrebata a comédia do espetáculo. Um telão posicionado ao meio do palco exibe imagens dos personagens no camarim, e as saídas e entradas deles, recurso inteligente utilizado para dar tempo a mudança de figurino do ator. Labutaria reúne personagens de profissionais do cotidiano, daí o nome do espetáculo, que retrata essas cômicas labutas, com exceção de Mustafary, um hippie com pouco texto e mais movimentação corporal, personagem que não se enquadra a nenhum ofício diário.

O motoboy Jackson Five retrata bem o cotidiano dos motoqueiros na cidade, com uma certa ignorância cultural revelada em suas falas, o personagem faz o público sorrir, porém talvez nem todos percebam que o papel pode se tornar tão caricato, se não houver uma atualização nos textos, quanto da personagem Mary Help, que também demonstra alguma ignorância no texto e repete o roteiro desde suas primeiras exibições públicas. Silas Simplesmente é um taxista que arrisca o uso dos idiomas e saboreia do humor com ótimas piadas, recheando o espetáculo com perfeita desenvoltura artística. A voz de cada personagem é um diferente figurino, que também caracteriza espetacularmente cada personagem.

“Labutaria” é uma realização da Macatranja Produções, iluminação e recursos audiovisuais temperam o espetáculo na medida certa. Figurino e trilha sonora completam a ótima ficha técnica, que não revela os nomes de seus idealizadores. O nome de toda a produção envolvida no espetáculo deve ser divulgada junto com a ficha técnica, visto que todos estão envolvidos na evolução do roteiro.

O espetáculo “Labutaria” está em cartaz no Teatro do Shopping Frei Caneca, por tempo indeterminado, no valor de R$ 70,0 todas as quartas-feiras. Os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria do teatro ou na internet pelo Ingresso Rápido. A Porto Seguro e o bistrô Paris 9 incentivam a cultura patrocinando a peça. Foto: Pedro Dimitrow; Foto divulgação; respectivamente.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

“Igual a Você”, comédia sobre todos nós no Raul Cortez


Há alguém “Igual a Você” e está em cartaz no Teatro Raul Cortez, em São Paulo. Após temporada no Rio de Janeiro, a comédia desembarca na capital paulista com esquetes irreverentes do cotidiano de todos nós, vícios, pânico, TOC, TPM e outros temas são abordados em textos de seis dramaturgos, sob a direção de Ernesto Piccolo, atuação fantástica de Camila Morgado, Bia Nunes, que fantasia demais suas interpretações, e Anderson Muller, que apesar do último sucesso na novela “Caminho das Índias”, não faz o mesmo no palco.

Os textos foram encomendados para um projeto idealizado por Beta Leporage, que produz o espetáculo com muito capricho e simplicidade cenotécnica. Após produzir “Gorda”, que para mim foi um grande fiasco cômico e dramático, Beta acertou em cheio ao redesenhar aspectos cotidianos das pessoas. Com a direção de Ernesto Piccolo, a realidade expõe-se em muito humor e detalhes, há sem dúvidas falhas, que no palco ganham uma imensidão pela proximidade que o teatro proporciona ao público, porém os grandes acertos também elevam o nível do espetáculo. Os seis dramaturgos revezam seus textos numa costura ideal para os palcos, Adriana Falcão descreve a obsessão. Vício e paranóia, por Lícia Manzo. Hipocondria é um dos mais hilários dos textos, escrito a quatro mãos, por Theréze Bellido e Fernando Duarte. TOC e TPM são temas abordados tipicamente por Regiana Antonini, que revela em seu texto aparências com outras autorias dela. Cristina Fagundes fala sobre pânico e ninfomania, um dos esquetes mais aplaudidos pelo público.

Os atores intercalam vários personagens, contracenam e também apresentam-se em solos. Camila Morgado, após interpretar a personagem Malu em “Páginas da Vida”, parece decolar da dramaturgia para a comédia. Quando interpretando uma personagem obcecada por sexo, sendo menor de idade, arrebata aplausos e risos da plateia, e não deixa por menos vivendo outras personagens. Bia Nunes força a barra quando procura alterar sua voz, apesar de não conseguir adaptar-se tão bem às personagens, também acaba ganhando o sorriso do público, gostei de algumas interpretações, quando sua voz não fica tão forçada, poderíamos ser poupados de sua personagem assídua em auto-ajuda, pois é uma cena solo sem qualquer censo cômico, fugindo do ritmo que a peça leva. Já Anderson Muller também não enquadra-se à comédia que sua cena solo poderia ter, ele é o que menos participa das cenas, o que destaca Bia Nunes e Camila Morgado. A comédia física é bem relevante no espetáculo e muito bem dirigida e executada pelos atores.

O cenário, de Clívia Cohen, é de fácil evolução, são painéis vazados e praticáveis, movimentados pelo contra-regra Rafael, que adapta-se as entradas de cenas. O figurino assinado por Lessa de Lacerda exibe ótimos cortes exatamente descritivos aos personagens. Aurélio de Simoni é responsável pela iluminação, que não exacerba-se em diversas cores, e mantém-se precisa e correta em todo o espetáculo. A trilha sonora é de Gabriel Lessa. Um vídeo com formato de documentário, gravado nas ruas do Rio de Janeiro, mostra depoimentos reais de pessoas que falam sobre seus problemas, os mesmos presentes nos textos dos dramaturgos, demonstrando com mais ênfase o título do espetáculo - “Igual a Você” - este vídeo, dirigido por Bernardo Palmeiro, surge introduzindo a peça e também durante, sendo projetado sobre o cenário.

O Teatro Raul Cortez está muito bem localizado e tem ótimas instalações, dentro da Fecomércio, onde até 4 de Abril estará em cartaz a comédia “Igual a Você”, sexta-feira às 22h, aos sábados 21:30h e domingo às 19h. A realização é da Voleio Produções Artísticas e os ingressos podem ser comprados pela Ingresso Rápido pela internet, ou na bilheteria do teatro para sextas e domingos por R$ 40,0 e R$ 50,0 aos sábados.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

São Paulo: 457 anos da peça mais nobre do Teatro


Abrem-se as cortinas do palco para mais um ano de espetáculos, São Paulo estende o tapete no foyer e a cidade ganha 457 aplausos. São milhares de espectadores, centenas de peças, inúmeros teatros numa das cidades com o maior número de histórias contadas na dramaturgia. Daqui surgiram grandes e memoráveis atores, também vieram muitos fazer carreira e o teatro ganhou sua população, suas trupes, escolas e espetáculos. O aniversário de São Paulo também traz consigo a comemoração ao teatro, esta cidade que nasce a cada noite com os aplausos em mais uma página dos scripts de grandes roteiros.

A cidade de São Paulo é a única que nos faz viajar por vários lugares do mundo sem precisar ao menos sair dela, a Broadway paulistana espalha-se por essa megalópole e recebe musicais nos templários Teatro Bradesco, Teatro Abril e Teatro Alfa. Por aqui recriam-se roteiros consagrados como os que estão em cartaz “Mamma Mia” e “Aladdin”. Nem todos são grandes sucessos, mas colocam São Paulo no folheto da diversidade cultural. “A Gaiola das Loucas” e “Gypsy” semeiam a história da dramaturgia e da música nesta boemia paulistana. Somos os privilegiados por recebermos bons espetáculos, a famosa rua Augusta ganhou a “Comedians”, a primeira casa de stand-up comedy, um projeto dos humoristas Rafinha Bastos, Danilo Gentili e Ítalo Gusso. Bares e restaurantes acompanham o sucesso da gastronomia daqui e servem como couvert apresentações teatrais, como faz o “Café Paõn”, nos espetáculos de Nany People e Bruno Motta.

São mais de 150 teatros, muitos cobrando preços exorbitantes para acompanhar o luxo medieval, porém o século XX deu de presente a São Paulo oportunidades de incentivos fiscais e descontos em ingressos, a pena é que nem todos são leais a estes projetos, e muitas vezes também não conseguem captar os recursos pela falta de investimento privado. Por isso quero salvar a Porto Seguro, a Ticket, a Bradesco Seguros, a Vivo, a Nestlé, a Cielo, e tantos outros que bateram records de incentivos, são empresas compromissadas com a cultura e que de ano em ano penduram o nome de seus empreendimentos nos camarins de espetáculos. Um pouco de tudo ganha roteiro nos palcos de São Paulo, desde a ousada irmã de Wilson de Santos, “A Noviça Mais Rebelde”, que retorna no Teatro Renaissance, ao “Mambo Italiano”, que tira a máscara do “Zorro” Jarbas Homem de Mello e o veste numa comédia no Teatro Nair Bello.

Por falar em Nair Bello é saudoso relembrar o que o notório teatro paulistano deixou como história, além desta memorável comediante que fazia sorrir o bairro do Higienópolis, fazendo vizinhança ao maestro das direções teatrais Jô Soares, e ao cabeça do teatro Paulo Autran, tivemos por aqui as tinteiros escrevendo personagens inesquecíveis vividos e dirigidos por nobres talentos como Nídia Lícia, Cacilda Becker, Sérgio Cardoso, Flávio Rangel, Eva Todor, Maria Della Costa, Procópio Ferreira e sua filha Bibi, Tônia Carreiro, Walmor Chagas, Cleyde Yáconis, Ítalo Rossi e Fernanda Montenegro, que foi vizinha de um teatro na Bela Vista, e respirava os ares culturais. São nomes que destacaram-se dentre tantos outros, mas que alavancaram o sucesso da dramaturgia nos palcos. A imortal Ruth Escobar também escreveu sua graça na calçada do talento, mas anda perdendo o brio com seu esquecimento e o falecimento do teatro que leva o próprio nome, além de toda má administração, peças de péssimo gosto ganham a pauta e interferem a imagem de algumas boas.

A atuação de valentes atores que enfrentam, muitas vezes, o esmaecimento da arte é o que mais motiva-me a aplaudir, Marco Nanini, Dan Stulbach, Marcos Caruso, Glória Menezes, Eduardo Martini, e outros encabeçam a lista de uns dos maiores nomes do teatro paulistano. Nanini estréia “Pterodátilos” em março, Dan mantêm o sucesso de “39 Degraus” no teatro Frei Caneca, Caruso faz história com seu texto “Trair e Coçar é Só Começar”, no Teatro Bibi Ferreira, enquanto Glória Menezes emociona e diverte o público com “Ensina-me a Viver”, ao lado do talentoso Arlindo Lopes, no Teatro das Artes. Eduardo Martini emplaca as bilheterias com “I Love Neide” e suas outras tantas peças que já deveriam estar em cartaz novamente. Este esmaecimento da arte da-se muitas vezes pela exploração dos teatros ao cobrarem as pautas, ou do mau gosto na seleção de peças, o Teatro Folha deixa em cartaz muitas peças sem sucesso algum, o Teatro Frei Caneca estipula o valor dos ingressos, o Teatro Bradesco tem um impecável design interior, mas quando falamos de balcão a visão é parcial e o preço é alto. O Teatro FAAP também não fica por baixo quando o assunto é preço, as fileiras são apertadas, num lindo auditório, o Teatro União Cultural insiste na péssima administração e permite-se cobrar um mínimo que não compensa ao espetáculo. Há muita coisa pra arrumar, para aí sim o teatro paulistano ganhar ainda mais prestígio.

São Paulo tem nome no time artístico, tem um dos mais lindos teatros do país, o Teatro Municipal, recebe os maiores espetáculos e abre as portas para grandes direções e redações como as de Möeller e Botelho, Millôr Fernandes, Fernando Torres, Juca de Oliveira, Nilton Travesso, Roberto Lage, José Possi Neto e outros, também para o espetáculo de iluminação, a exemplo Maneco Quinderé, produções, interpretações e tudo que compõe nosso premiado teatro. A boemia da pauliceia é o mais perfeito cenário para mais um ano de tantas peças e à comemoração dos 457 anos de diversidade artística, da música, dos palcos, das cortinas, da comédia, do drama, da dança, do espírito teatral – de São Paulo.
Nas fotos, Paulo Autran e Fernanda Montenegro; e Teatro Municipal de São Paulo.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

“O Quebra-Nozes”, em cartaz a prata da casa da Cia. Cisne Negro


A tradicional companhia de dança Cisne Negro estreou no dia 8, para convidados, e dia 9 de dezembro para o público geral, o clássico do balé, “O Quebra-Nozes”, espetáculo natalino que conta a história de uma jovem apaixonada por seu brinquedo. Com números de deixar qualquer queixo caído Hulda Bittencourt comanda a direção artística da apresentação, que já marca as folinhas da Cisne Negro há 27 anos. Desta vez, em cartaz no Teatro Alfa, em São Paulo, cenário e figurino brilham com nobreza junto aos passos de dança.

O Quebra-Nozes é um dos balés mais tradicionais que existem no mundo, Tchaikovsky compôs toda a sonoridade clássica do espetáculo diretamente ligado ao romantismo. Clara, na noite de natal, ganha do padrinho Drosselmeyer um boneco soldado quebra-nozes, que dentre tantos brinquedos acaba sendo o mais querido. Quando esteve sozinha na sala, Clara adormeceu e com a ajuda do mago e padrinho seu boneco ganhou vida num sonho, aventuras e magia passam a fazer parte da história, partindo de um carinho adoçado no espetáculo. As cenas dividem-se em três, nos dois atos do espetáculo, a grande parte da beleza das execuções do balé ficam no segundo ato, no Reino dos Doces, onde a fada açucarada derrama lindos passos e perfeição. Neste cenário é encenado o sonho que viaja por várias nações, e o figurino dá um banho de elegância.

O balé tem a grande responsabilidade de contar uma história sem falas, com a música motivando os passos a deslizarem pelo palco. Assim a companhia Cisne Negro deu nas mãos de 120 artistas, sob os ensaios de Dany Bittencourt e toda disciplina artística de Hulda Bittencourt, uma das mais belas histórias musicais e dançantes do mundo, nascido em Moscou, na Rússia, as características do roteiro se mantêm preservadas, do alto do teatro nasce um anjinho lavando-nos na plateia com uma neve cenográfica, arrepiando nosso corpo e brilhando os olhos de todos que sentem-se parte do espetáculo. A fada açucarada ainda me vem à mente quando busco os grandes destaques do “Quebra-Nozes”, o pas-de-deux coloca os bailarinos como um príncipe e princesa na ponta dos pés elevando-se ao mais alto nível da dança.

Os solistas que executam lindos passos de balé revezam experiência e cavalheirismo à dança, respeito à história do roteiro e à disciplina que requer a apresentação. O semblante de todos revela alegria, leveza e uma grande diversão ao dividirem o palco com grandes artistas, pois todos são grandes artistas. Alguma coisa no tempo errado, na entrada correta de luz, descompassou um trecho da cena em que um bailarino desce ao palco, porém qualquer deslize torna-se fácil de contornar quando falamos de apreço ao balé, é o que se pode notar que há em cada ator e bailarino convidado. Anna Scherbakova e Dmitry Kotermin são os solistas e fazem parte do Russian State Ballet, de Moscou. O tom teatral do roteiro ganha vivacidade com os atores convidados, dentre eles Felipe Carvalhido, que atua no papel de Drosselmeyer, esbanjando o tom misterioso de seu personagem e toda capacidade artística de misturar-se a bailarinos, assim como ele, envaidecendo o espetáculo.

Há 27 anos o balé é apresentado e a cada ano reserva a atenção do público a esta adaptação perfeitamente adequada ao balé. Até o dia 19 de dezembro “O Quebra-Nozes”, pela Companhia Cisne Negro, estará em cartaz no Teatro Alfa, em São Paulo, de segunda à quinta, 21h. Sexta, 21:30. Sábados, 17h e 21h e aos Domingos, 16h e 19h. Os ingressos custam entre R$ 60,0 e R$ 90,0.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

“Eduardo Martini”, a comédia de fato, num cartaz infinito


Um ator que nasceu há 50 anos comemora além de anos, o nascimento em carreira. Ele, sem dúvidas, estrelou nos palcos com o intuito de rir e nos fazer rir. É difícil resumir alguém em admirações, mas fica fácil escrevê-lo em crítica, já que não é algo imparcial, é uma visão, um sabor daquilo que se degustou. Não que eu o tenha degustado, mas já tive em minha boca o reflexo do sorriso deste humorista nato, e já deixei meus olhos falarem por sua emoção. Não foram só comédias, também houve dramas, tanto em pessoa, quanto no palco. Carlos Eduardo Porta Martini facilitou-nos chamar-lhe no teatro como Eduardo Martini, o ator que fez-me conhecer a profissão de criticar por puro prazer à arte, a mesma que o move o sangue nas veias, dando-lhe a vida para o teatro.

É notória a presença dos feixes de luz no palco redesenhando um semblante concentrado, seguindo sobre o linóleo seus passos artísticos que revelam a experiência do ator no palco. E eu falo de vários personagens juntos, pois vê-se um personagem e lembramos até daqueles que nem vimos, mas que faz sentir saudades mesmo assim. A direção é impecável, é própria, algumas foram de outros, mas que uma tarefa tão difícil foi arriscada com facilidade ao aplicar num grande ator. A trilha sonora é tão bonita que talvez eu tenha que ouvir mais vezes para escrever com maior propriedade, as notas são peculiares e o arranjo infinito de tão profundo, a música vai ampliando-se na plateia e impulsa nossas mãos para aplausos vibrantes. O cenário límpido, revisa uma vida detalhada pela família, pelos amigos, pelos profissionais que estiveram ao seu lado. Imagino que nem todo mundo lhe estendeu tapete, não que ele seja um rei, mas caminha até a côrte da arte, onde o teatro está no trono que ele, em volta, nasceu como plebeu.

Dê-lhe um palco, que fará a cena! Ilumine a cena, que ele fará o palco! As expressões releem o texto de maneira incrível e o corpo o revisa. A leitura que os olhos fazem da comédia explicam toda sagacidade artística que o ator empresta aos personagens. Foi vendo a Neide que resolvi assistir todos os outros e fui ainda mais crítico a outras comédias, alguns textos arruinados eu mesmo falei, mas de seus textos ainda não sobraram escombros, porque todos estão de pé e reformados. O Eduardo respeita o teatro e por ele é respeitado, quando lhe faltam respeito é hora de abandonar a arte, porque não sabe fazê-la, pois o primeiro que eu souber que distribuiu falsas estrelas, ou desmerecidas, dou-lhe uma boa crítica para aprender a apreciar o que deveras é incrível.

Quando o assisto nas boas peças sinto-me, de fato, um espectador, recebo o humor e retribuo com gargalhadas. Algumas peças eu me ponho como crítico e distribuo a pobreza artística da peça com palavras de crítica, mas com as comédias de Eduardo isso não aconteceu, e de alguém que já completa anos de arte torna-se difícil escorregar no salto. O ator rodopia, pula, canta, veste e tira, sai e entra, encena e vive um personagem em tantos outros, cada um sobrepõe a experiência do outro papel. O Eduardo é como um baralho inteiro, onde os vários naipes completam o jogo, cada um sobre uma cartada melhor, à fim de vencer a rodada, assim a cada final de peça os aplausos o agradecem pelo espetáculo doado ao público.

Uma produção sem erros, o figurino com a costura bem alinhavada e as cores pinceladas ao bom gosto. Hoje, quem lhe recebe é a plateia, e não vice-versa, como de costume. É evidente que sua vida tornou-se uma cena, que ganha uma nova história a cada apresentação e nela temos a oportunidade de ser coadjuvantes e completar seu elenco tão nobre. Eduardo Martini está em cartaz diariamente onde quiser-mos ver, a caminhada dele registrou-se em documentos de recordações pessoais e nos arquivos lindos do teatro e da dramaturgia. É um prazer tão sublime fazer parte do teatro, ainda mais dando-lhes críticas recíprocas ao carinho do trabalho deste ator tão próximo ao público e amante do que faz. Registro em palavras o meu aplauso aos 50 anos de sua estréia numa peça chamada “vida”.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

“O Pelicano”, de Strindberg e todo seu sangue em texto


Talvez seja um dos dramas de maior introspecção já escritos, August Strindberg foi citado por Nietzsche e Freud por sua obra que trata dos anseios familiares, do retrato obscuro que há numa família, o autor traça um diálogo com o ego dos personagens e seus atos, a peça “O Pelicano” é uma obra prima daquelas que se é possível entender como pinceladas expressivas de um artista em sua tela retratando sentimentos. Com direção de Denise Weinberg, corpo, mente, voz e sentidos contornam uma tragédia familiar, onde a destruição do lar é dirigida pela matriarca. “O Pelicano” está em São Paulo desde o ano passado, muito bem produzida no Viga Espaço Cênico.

A maçonaria emblema o pelicano como uma ave que alimenta os filhos com o próprio sangue, essa foi a personagem principal para justificar o texto do sueco Strindberg, criar um cenário de decadência familiar pelo esgotamento dos sentimentos afetuosos distancia a figura materna de uma ave dedicada, neste ponto é que o roteiro exibe o pai, um homem já morto, como o pelicano que já deu aos filhos sangue enquanto o seu se acabava. A matriarca da família, interpretada por Sheila Gonçalves, “mata” seu marido por desgosto, aquele que passava a vida dedicando-se aos filhos e balançando-se numa cadeira da sala, seus dois filhos vestem o luto do falecimento do pai, Flavio Barollo interpreta um jovem bêbado, que encontra no álcool a fuga de uma família que se dissolveu. A mãe avarenta cerca-se de seus privilégios adquiridos por artimanhas sórdidas e obriga a filha, vivida por Patrícia Castilho, casar-se com seu amante, interpretado por Flavio Baiocchi, um homem capaz de atos grotescos para impor-se o homem da vez.

O texto vigora uma categoria indiscutível, o intrínseco psicológico que há no roteiro fisga o espectador para cenas expressivas e nada monótonas. Já quando entramos ao teatro, que por sinal é muito quente e sem qualquer circulação de ar, os atores já introduzem os impactos que encenarão no espetáculo, cubos, em volta de um tablado posicionado ao meio do palco onde desenha-se a sala da casa, sentam os atores quando estão fora da cena, porém exibem movimentos corporais impactando as cenas. Inês Aranha é a preparadora corporal. A sala do espaço Viga acompanha a mesma clausura da história que foi encenada há anos em Estocolmo, do mesmo texto, onde a família e seu holocausto torna explicita sua autodestruição. A direção de arte de Carlos Calabone realça as pinceladas de Strindberg no drama.

O palco veste luto, assim como os atores, o vento e os gritos sublinham o medo da mãe por toda maldade que carrega, esse é o único sentimento que a confronta, a culpa casada ao medo. A atriz Sheila Gonçalves resume todo o sentimento acuado e ações cruas em suas expressões bem encenadas, assim como Patrícia Castilho que configura sua inocência e pureza na voz e nos movimentos, a dupla de Flávios, o Barollo e o Baiocchi exploram o interior de seus personagens e os expõe com total entrega aos papéis, impressionam, sensibilizam e assustam os olhares do público. A atriz Lilian Blanc vive a morbidez da governanta que traz o gancho para toda a história da família, com participação fundamental para a estilização gótica que o espetáculo me passou.

A iluminação de Wagner Pinto e a direção musical de Eduardo Agni explicam o teor do espetáculo com grandes acertos, não há nada exagerado, nem de menos, os limites são categoricamente respeitados. Os cabelos, o figurino e toda montagem dos personagens dão um bom tom à peça. A locação do espaço é uma conservação ao que se criou na encenação da peça em Estocolmo, porém a ventilação que deveria ter na plateia é uma forma de respeitá-la, a boa acomodação das pessoas influí na atenção ao discurso.

O Viga Espaço Cênico, em São Paulo, abriga a discussão dramática da família retratada por Strindberg, com produção de Luque Daltrozo e produção executiva de Leandro Viana, realização de Delana Produções, Cia Mamba de Artes e Projeto Viva Cultura, a peça “O Pelicano” da um exemplo de uso dos incentivos culturais, aos sábados 19h o espetáculo é gratuito para ONGs e escolas, às 21h também têm apresentação, e aos domingos 19h, até 19/12. O ingresso custa R$ 10,0 e a meia R$ 5,0. Fotos: Zuza Blanc.