segunda-feira, 31 de março de 2014

Zizi Possi apresenta 'Tudo se Transformou' em São Paulo

Foto: Divulgação
Maria Izildinha Possi, ou simplesmente Zizi... um apelidinho que mais parece um chiado, um dos chiados mais afinados da música brasileira. A cantora, que registra um timbre especial e doce, fez shows em São Paulo, no Sesc Vila Mariana, no último final de semana e deu ao público o gostinho de um novo repertório e de gravações "das antigas"!

OK... acho que "das antigas" pega mal, quando trata-se da jovialidade de Zizi Possi e sua presença de palco, que confunde-se com presença de espirito. Ela permite transbordar entre voz e corpo uma fusão quente e envolvente, Zizi deixa que a voz passe por todas as veias do corpo até encontrar a boca e expelir com uma voz que acalma e excita, é uma linha tênue entre a paz e um turbilhão.
Zizi entrou e saiu do palco ao som de um rock bem abrasileirado, com um apelo às cordas da guitarra, ao gingado de um pandeiro da capoeira e um encontro vocal, dela com essas cordas, embriagado de afinação.
Claro, ela não deixou de lado "Per Amore", canção de novela, que colocou o italiano na boca do povo. Zizi ainda passeou por outros sucessos e fez escorrer lágrimas do público ao cantar "Beatriz", de Buarque. Foi o ponto alto do espetáculo, em que toda a melancolia da interpretação ganhava beleza e exprimia uma das mais lindas versões da canção. Zizi Possi é um das maiores artistas brasileiras!
Interpretando "Contrato de Separação", de Dominguinhos, deixou os olhos cantarem com a mesma delicadeza em que as cordas vocais valseiam pela garganta.
Zizi Possi é daquelas cantoras que causam overdose na gente, que a gente quer embriagar os tímpanos de tanto ouvir e dissecar disco por disco... aliás, "disco" já é antigo para a cantora, como ela mesmo ressaltou em suas famosas "conversas" com o público. Zizi ultrapassou a era do disco e já grava até videozinhos no Facebook. Ela é de um grupo raro de artistas, dos que desceram do Olimpo para dizer que música se faz no mesmo plano em que o público está.
É difícil saber se a voz de Zizi sai do violão, dos pianos ou dos lampejos que trovejam em seu coração. Em série, música por música, da pra ver que ela expele-se lentamente de cada um desses lugares. Ela é como a última e mais esperada sessão do cinema, em que os casais envolvem braços e abraços... É feito cheiro de mato molhado, que a gente nunca esquece. Um ato teatral, um átomo, é a música olho por olho! Seu repertório é uma mensagem, um poema, um cálice de sua versatilidade musical.
Zizi é um "mundo e nada mais", com diz a canção de Guilherme Arantes, que ela interpreta com total intimidade, como se fosse compondo no exato momento em que canta. Precisamos mais disso, de mais Zizi. O dia que houver dúvida de como se canta, de como fazer música com sutileza, perguntem à Zizi!

O espetáculo "Tudo se Transformou" faz parte do sensacional projeto do Sesc, que promove um dos melhores circuitos musicais paulistas, trazendo lançamentos com ingressos a preços populares. É o Sesc fazendo muito mais bonito do que muita casa de show, já que estamos cada vez mais órfãos de arenas de espetáculos!

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Um chá de flores, espinhos e mulheres suavemente depiladas

Foto: Divulgação
Mais uma vez uma família sobe aos palcos para fazer o público se identificar, mas essa é bem diferente em alguns pontos: só tem mulher, e só tem homem vestido de mulher! O espetáculo "Chá das 5", de Regiana Antonini, está em cartaz no Teatro Augusta, em São Paulo. Eduardo Martini dirige essa turma toda e ainda destaca-se no papel da matriarca. Blota Filho brilha numa participação especial. A dupla acaba concentrando o melhor da peça nessa saborosa dobradinha.
O elenco é grande, obviamente um tanto difícil de trabalhar, equilibrar todos sobre a corda bamba da arena é uma tarefa circense. Eduardo tira isso de letra, o que ainda esbarra em sua direção não é a técnica, nem a sensibilidade, mas a imaturidade de alguns atores. Falta um pouco mais de visão geral do espetáculo para alguns deles, o texto ainda parece muito cheio na boca e os movimentos acabam um pouco engessados. Todos parecem muito mulheres, e deixam escapar a saliência masculina de cada um, isso é genial! Mas, ainda falta que alguns atores acreditem mais nessa personificação feminina e de texto em seus personagens. O conjunto da obra perde ponto apenas por isso.
Eduardo Martini dirige a comédia timbrando a longa experiência em papéis femininos, mas deixou de lado qualquer tipo de caricatura e encarnou o papel de Dona Campainha de maneira autoral. Essa personagem é envolta de várias características e uma unanime, a ranzinzice de uma senhora sem ocupação - sua vida resume-se em esperar a visita da filha predileta, espezinhar a filha que ainda mora com ela e comentar as notícias da TV - Campainha evolui no palco sobre uma cadeira de rodas e passeia pelo corpo do ator com total intimidade. Eduardo faz o drama e a comédia como se fossem o mesmo gênero.
O texto passa por momentos complicados, críticos. Regiana acerta a mão na comédia leve, na trama familiar. Pesa, quando entra num campo criminoso, quando cria os atritos entre as filhas de Campainha... neste momento o texto sai do campo humorístico e entra num drama que pode realmente emocionar. Tudo volta ao normal, o humor e a tragédia encaixam-se juntos no final.
O palco ficou fácil de trabalhar e visualmente envolvente. A iluminação fica por conta do aconchego de um lar e os recursos de projeção, que trazem um feedback caracteriza um dramalhão mexicano completamente cabível e interessante. O figurino... ah o figurino é espetacular! Blota Filho, bom, vou falar dele no próximo parágrafo!
Logo que comecei a escrever sobre o figurino lembrei do Blota, é ele quem interpreta Clematite Soares, a única que não é da família, mas é ela que causa todo alvoroço e desavença entre as irmãs e mãe. Clematite, a vizinha e falida! Blota Filho veste-se inteiramente como mulher, inclusive em seus movimentos, cabelos, flertes e entonação. É simplesmente um semen artístico que transita entre Hebe Camargo e Nair Belo, a mistura perfeita! Eu pude ver a Hebe quando o ator pisou no palco. Ele é sensacional, entrega-se à personagem desvinculando-se totalmente de sua personalidade. Certamente um processo de imersão pessoal e pra alguém que é muito bom!
As filhas de Dona Campainha enchem qualquer buquê ou jardim: Margarida, Miosótis, Malva Rosa, Madressilva e Magnólia. A neta, Jasmim. E a fiel escudeira, a empregada Açucena. Todas prontas para colocar espinhos que não existem em talos que deveriam ser delicados. Os atores, Tiago Pessoa, André di Paulo, Ailton Guedes, Darwin Demarch, Félix Graça, Alessandro Ramos e Paulo Tardivo interpretam essa flora. Malva Rosa tem a expressão, junto ao ator, que ninguém quer ver, azeda como um limoeiro novo. Nessa leva o destaque é inevitável entre Darwin Demarch, que interpreta a filha acima do peso e prejudicada pela distância, fiel moradora de Itanhaém, e Paulo Tardivo, que interpreta a filha adotada, a mais nova, usuária de entorpecentes e completamente livre de convenções. Os dois atores domam muito bem suas personagens, expõem pontualmente suas características e doam-se para um humor exato, na medida!
Foto: Divulgação
"O Chá das 5" esfria e esquenta, deixa o público morrendo de vontade dos brigadeirinhos e Açucena, a empregada, interpretada por Tiago Pessoa, tem o trunfo pra te fazer sorrir de boca cheia. Uma mãe é capaz de tudo pelo amor entre os filhos, pela união da família, não é? De alguma forma você vai se identificar. Em dado momento você vai achar aquilo muito distante da sua realidade, mas depois verá o quão próxima essa família encontra-se da nossa porta. São vizinhos nossos! O Chá está servido em apresentações no Teatro Augusta até o dia 21/02, sextas-feiras às 21h30. Corra antes que esfrie!

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Falando de morte!

Os atores Tiago Pessoa, Gabriela Carvalho e Rosana Penna. Foto: Divulgação
Agora já dá para começar a revelar um pouco mais sobre os bastidores do espetáculo "Se eu morresse amanhã", de minha autoria e direção. A pausa de final de ano foi fundamental para colocarmos alguns reparos pessoais no lugar, uma vez que os ensaios devem tomar boa parte do nosso tempo daqui em diante. E isso é bastante prazeroso pra nós, que fazemos teatro. Já fizemos as fotos e também estamos prestes a finalizar os preparativos do cenário, o figurino está todo alinhavado e o texto quase na ponta da língua!

Quando toda essa loucura começou, pensamos em como faríamos para levantar toda a estrutura do espetáculo sem grana alguma. Logo, os apoios seriam fundamentais e começamos a correr atrás de permuta. Um dos primeiros nomes em que pensamos foi na APM (Associação Paulista de Medicina), eles possuem um espaço super bacana e que seria ideal para ensaiarmos. Além disso, eles praticam uma política de valorização aos funcionários e a todos os médicos associados em todo o estado de São Paulo. Fechamos essa parceria e a APM é a nossa apoiadora. Todos os médicos associados e funcionários receberão um super desconto na compra de seu ingresso para assistir à peça, valor abaixo até da meia-entrada para estudante. E a gente já está ensaiando por lá.
Estamos em negociação com a possível apoiadora dos elementos cenográficos. Enquanto isso, já posso ir apresentando um pouco da nossa produtora e do nosso elenco...
A Pessoa Produções já está há um bom tempo no meio teatral e produzindo espetáculos que lotam plateias. O Tiago Pessoa, sócio dessa produtora convidou-me a escrever o texto e surpreendeu-me ao fazer o convite para que eu mesmo dirigisse à peça. Convite aceito, era hora de convidar e testar os três atores que compõe o elenco.
Tiago Pessoa, Gabriela Carvalho, Nyldo Moreira e Rosana Penna. Foto: Divulgação
O nosso produtor, Tiago Pessoa também é ator e prontamente vestiu-se do intrigante personagem masculino que transita entre a realidade e uma possível ilusão. Rosana Penna, chegou sem decorar o texto, apresentou-se para a personagem de mais texto, de inúmeras nuances comportamentais e de uma lucidez duvidosa. Rosana arrebatou-me de cara, ela torna-se gigante a cada ensaio. Gabriela Carvalho e sua doçura desmontada por uma personagem frígida, conquistou o papel da enfermeira e terá a difícil tarefa de domar a hóspede daquele hospital. O time está completo, mas não seria tão preciso se não fosse a assistência de direção de
Alexandre Nicotelli, que levanta para pegar o café, faz a pesquisa de sons e supervisiona o texto com olhos de lince.
Em Abril a gente estreia em São Paulo, falando de morte como quem fala da vida!

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Carminho e o jovem fado que recoloniza o Brasil

Carminho. Foto: ReproduçãoCarminho apresentou-se nesta segunda (16) e terça (17) no Tom Jazz, uma casa de shows bem intimista, em São Paulo. Por aqui, rasgou a voz como quem espalhava-se em canto numa casinha de fado. A fadista é uma jovem, uma jovem veterana, que não poupa o corpo na hora de passar-lhe a imensa voz que parece não caber em si e vai exaurindo-se em agudos intensos e cheios de perfeição. Carminho é fadista daquelas mais do que tradicionais, já parece trazer a marca mais milenar da arte de fazer fados em suas expressões e canções.
Quando conheci Carminho, uma catarse foi tomando conta de mim. Todo e qualquer som foi expulso do redor e só sua voz girava pelo ar. É daquelas vozes que adentram ao nosso corpo e vai escapando em arrepios consecutivos, como se ela procurasse espaço pra eclodir, enquanto desfragmenta-se dentro da gente. Carminho despertou-me a atenção ao fado, a delicadeza das letras e o calor de sua voz, como Amália Rodrigues fez-me.
A fadista apresentou-se na última edição do Prêmio da Música Brasileira, que homenageou Tom Jobim, e cantando "Sabiá" pôs em pé toda a plateia de músicos e ganhou os holofotes da edição. Carminho recolonizou o Brasil e aproximou ainda mais a religiosidade artística entre nós e os lusos. A cantora azeita ainda mais a poesia de nossa língua, faz com que ela pareça bem mais nossa do que a história conta.
Incansável de surpreender no palco, de arrancar aplausos, sorrisos, arrepios e lágrimas, Carminho sapecou uma história de Fernando Pessoa, e cantou-a inspirada. Seu último CD, "Alma", traz duetos com Milton Nascimento, Chico Buarque e Nana Caymmi. Carminho é apaixonada pelo Brasil e por nossa música, algo que nos torna tão comuns!
Ao final do show, abracei-a com um propósito ainda maior do que o agradecimento pelo belíssimo e impecável espetáculo: "cante com Maria Bethânia, por favor!", foi o que pedi a ela!


A cantora ainda apresenta-se hoje no Tom Jazz, em São Paulo.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Sarah Brightman pousa sua galáxia no Brasil

Sarah Brightman sabe como conquistar os brasileiros, a cada turnê faz questão de descer no país da bossa pra desembocar a refinaria de açúcar que guarda em sua garganta. A soprano não beira apenas o clássico, o erudito. Sarah representa um conjunto musical, uma atriz em movimentos sonoros.
A cantora, inspiradora do papel da mocinha do musical "O Fantasma da Ópera", trouxe uma galáxia para o Brasil, sob o som do álbum "Dreamchaser", ou, de repente "Caçador de Sonhos". Com muita tecnologia e um banho high tech de iluminação, desfilou em roupas alegoricamente impecáveis e brilhou como a descida de uma estrela cadente.
Sarah apresentou-se com uma banda pequena, mas espalhou-se imediatamente canto a canto do Citibank Hall, o antigo Credicard Hall, em São Paulo. Por todos os lados a voz com uma das mais expressivas belezas agudas dentre as sopranos cintilava em compasso aos olhos de Sarah.
"Canto Della Terra", clássico ao lado de Andrea Bocelli, foi entoado junto a um tenor, que pra mim foi um tremor! Achei um pequeno desastre, um cantor de uma língua quase presa. Um tenor de "quases", pequeno ao lado de Sarah. Com ele (infelizmente não recordo-me do nome), também cantou o tema do musical "O Fantasma da Ópera" e novamente tornou-se maior que si própria. "Nessun Dorma" lançou lágrimas nos olhos de muitos e eclodiu agudos fogosos e impecáveis. A afinação da soprano é louvável.
Um imenso telão parecia deixar Sarah numa posição tridimensional, e lança raios, constelações e inúmeras imagens com um teor tácito incrível. Aquilo tudo faz toda a diferença e torna o espetáculo quase surreal.
É daqueles shows que dá vontade de exibir imediatamente no Instagram, ou no Facebook... de tirar uma foto do ingresso e postar, sabe?! Bem que eu quis, não fosse a precariedade do lastimável 3G da Tim. Uma operadora a se odiar!!!
Outra coisa que muito me agonia são aquelas irritantes palminhas que o público insiste em dar... como se acompanhassem o ritmo das músicas. Não sabem pisar certeiro nas notas e a coisa fica péssima. Fica algo do tipo missa de Sábado de Aleluia, ou plateia do Programa Silvio Santos. É gostoso e mais saudável assistir ao show quietinhos!
Enfim, voltando à Sarah Brightman...
Foto: Divulgação
Sarah não é um concerto, uma ópera... ainda não resvala na música clássica. Mas é gigante como uma genuína peça erudita!
Os shows trazidos pela Times For Fun acontecem ainda hoje (29) em São Paulo, no Citibank Hall e nos próximos dias no Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Loreena McKennitt e a beleza celta de sua música no Brasil

A canadense Loreena McKnnitt trouxe-me uma enorme dificuldade para que eu falasse sobre ela, seu show é quase indescritível. Tudo isso porque sua música transportou-me pra algum lugar longe daquela poltrona, um lugar que era possível ver e ouvir sua canção. No Credicard Hall, em São Paulo, o piano parecia imperar e disputar a vez com a voz da cantora. A pele ia riscando-se com destreza ao arrepiar, quando era possível sentir as cerdas do violino no próprio corpo, como um ato sexual entre a música e o humano. Loreena e a música são uma coisa só!
Quando a música já não cabia mais no corpo ia esparramando entre espasmos, arrepios e lágrimas. Loreena misturava o toque celta, o ritmo oriental e tudo aquilo que inspirava-lhe beleza pelo canto e pelos instrumentos. Não há uma só música em que ela não toca, em todos os instantes seus dedos apropriavam-se de instrumentos e cada canção suspirava vários instrumentos. Suas composições são cheias de nuances, embelezada de notas. Em uma só o piano dobra-se em suas próprias teclas e em cordas e sopros.
Sua violoncelista parecia ter saído de duros confrontos nórdicos. Tocava aquelas cordas como quem sofresse o corpo com as próprias cordas. Parecia tocar-lhe o peito e suar sobre as notas. A beleza culminava-se a todo instante. Atingia ápices orgásticos. Adentrava ao corpo como uma cirurgia só de anestesias.
Loreena é um preenchimento musical de tessitura infinita. Cada canção é um diálogo, um encontro de uma voz inigualável com a sensibilidade instrumental da cantora. Sua voz é um cálice transbordado de beleza!
Não dá pra passar-lhes todas as sensações que senti neste show. Vejam e ouçam o vídeo abaixo, com uma de suas mais belas canções!!! Talvez isso resuma um pouco tudo isso...

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Se eu morresse amanhã

Eis o nome da peça... àquela que fui convidado para dirigir! "Se eu morresse amanhã". Achei o título apropriado, pelo amplo contexto que ele comporta. O texto, que tirei de alguns delírios psicológicos nas altas madrugadas, é um tropeço poético na poesia de Fernando Pessoa. Fala de vida, não apenas da morte. Amor, fé, loucura e tempo... é o que a gente fala.
Foto: Nyldo Moreira
Quanto tempo tem a vida de cada um de nós? O que será que nos reserva nos suspiros finais? E será que eles podem ser previsíveis? Dá pra viver na impossibilidade? Dá pra ter fé quando até ela nos desafia? Como é que se pode crer no amor, quando há apenas a presença da ausência? Estar louco é o mesmo que estar só? Esquecer-se de quem somos é um conforto de personalidade, ou um confronto de personalidade? São essas algumas das milhares de questões que começam a brotar acerca do texto, apenas nos primeiros dias de leitura!
O texto nasceu num rompante de inspiração, veio pronto e desceu feito uma entidade bem resolvida de seu paradeiro. Ao final, senti aquela insegurança, que agora verteu-se em frio na barriga. Recebi o convite para dirigir o próprio texto e aceitei encarando como se eu pudesse criar o próprio filho, dar-lhe o norte desejado na gestação.
Começamos as leituras, já escolhemos os três atores. Duas mulheres e um homem. Não trata-se de um triângulo amoroso, nem de uma missa, nem de um conto cheio de moralismos. Trata-se de uma prosa que paira entre o real, o sobrenatural, ou o presente e o passado, ou aquilo que você quiser entender! Trata-se de uma história entregue ao público. O real e o imaginário andam de mãos dadas conosco, e vão para o teatro.
Se você morresse amanhã faria o que hoje?! Criaria um mundo imediato de ilusão? Amaria mais? Dormiria o dia inteiro? Choraria? Ou simplesmente anteciparia o evento?
Estamos reunindo os apoiadores e logo direi quem são os personagens, onde estrearemos, para onde iremos e detalhes dos bastidores!
Se eu morresse amanhã....

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

O Musical Nemo é a atração para o Dia das Crianças

Foto: Divulgação
O espetáculo é uma daquelas versões didáticas que toda criança deveria ver. O musical Nemo é uma história recontada por jovens atores, uns com a experiência de nobres, outros ainda cheirando a talco. A história da Disney é um livreto emocionante e com beleza singular. O diretor da versão brasileira, Tiago Pessoa, introduz a criança ao palco, por meio da simplicidade da montagem.

Qualquer reunião de crianças num teatro é lição pra qualquer pessoa. Quem dera todo jovem tivesse crescido nas poltronas de um teatro! Pais, levem os seus filhos ao teatro!
A montagem esbanja cores cintilantes e preocupa-se com cada detalhe cênico. Os olhos da direção parecem estar impressos em cada adereço. Essa de que criança não repara, é papo furado. Qualquer coisa fora do lugar seria motivo para os olhares críticos dos pequenos.
A história gira em torno do sumiço de Nemo, que fora capturado por pescadores para viver num aquário. Pela desobediência ao pai, Nemo vai nadar em águas perigosas e acaba em risco. Essa é uma história de moral fácil, de compreensão próxima a da criança e com uma didática fascinante.
Foto: Divulgação
O espetáculo desfila um número apropriado de atores no palco, adapta-se para o palco e veste-se de uma simplicidade íntegra e pontual. Os atores revezam-se em personagens e artificializam suas vozes com destreza. As músicas, infelizmente são playbacks, ainda assim a voz da personagem que interpreta Nemo arruína alguns ouvidos. Nada que incomode a criançada, que gargalha, interage e atenta-se a tudo o que acontece no palco.
O Musical Nemo é atração perfeita para o dia das crianças e qualquer outro dia! Não só para as crianças, mas pra todo mundo. Todo mundo tem que provar do mesmo doce que a criança, isso dá mais cor aos dias. Dá mais vida!
O espetáculo está em cartaz no Teatro Augusta, em São Paulo, aos sábados e domingos às 16h.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Baby do Brasil volta aos palcos melhor do que nunca

Foto: Nyldo Moreira
Baby parece ter voltado ao tempo para atingir a perfeição de seu timbre. Ela veio melhor do que antes. Mais jovem, até! Não para um segundo no palco, e brilha os olhos ofuscando a guitarra do filho, que dobra-se entre a banda de Gal Costa e no palco da mãe, Pedro Baby mostra que filho de peixe peixinho é! Baby canta os sucessos de sua carreira, com um público que delira e deixa um teatro em pé.
Com o teatro lotado, no Sesc Pinheiros, Baby abriu um dos três shows que faria em São Paulo, na sexta-feira, pintando palco de roxo e com um tom de quem fez escola nos Novos Baianos. Jovens e mais velhos pareciam uma coisa só, parecia um passado no presente. Baby de volta era um sonho, que o filho ousou em realizar. Foi Pedro quem a convidou, e Baby com sua conversão ao religioso pediu um tempo para conversar com seu Deus. Pedro interviu: "Deus não ficaria feliz em ver uma mãe e o filho no mesmo palco?"... Enfim, Baby voltou pro seu divino lugar, o palco!
O terceiro sinal era uma batida mais forte no coração. Baby pisava suas botas pretas no palco relembrando tudo aquilo que minha mãe cantava. Foi lindo, foi "Cósmico".
Não sei como passamos esse tempo sem a Baby, sem o "Menino do Rio"... no final do show ela fez questão de homenagear o pai daquele que sentava os dedos na guitarra. Berrou o nome de Pepeu Gomes e permitiu ao filho reinar em sua cria.
Duas horas de show, "sem pecado e sem juízo", sem pressa do dia raiar, sem cansar, com o suor contido nos cabelos roxos, fazendo jus ao símbolo épico de sua categoria musical. Baby é uma bossa mais do que nova! Baby é do Brasil.
Espero que esse show, de teor magnífico, sem erros, seja registrado num DVD. Todo mundo precisa recapitular essa pausa que a música deu no tempo de Baby. Essa Baby que voltou com tudo e contudo!
Aquele barulho de índio, feito pelo público todo, como se todo dia fosse dia de índio, é o que ficou de mais latente e indissolúvel.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Mais um desafio no teatro

Hoje o texto é curto, falo de mim mesmo, pode até parecer egocentrismo... mas, não é! Sabe quando você tem um desejo pra realizar, mas quando ele aponta na sua frente dá aquele medo, ou frio na barriga? Então... estou assim! Eu acho até saudável, e por isso, à partir de hoje vou começar a contar um pouco sobre isso pra vocês, pelo menos uma vez por semana. Vou dividir a coluna em dois, num dia conto sobre isso e no outro sobre música. Recebi um desafio no teatro, e é ai que a porca torce o rabo. Escrever, dirigir, ou criticar?
Recentemente deram-me a prazerosa tarefa de escrever uma peça de teatro, dessas que eu estou acostumado a ver e criticar... dessa vez seria eu o espectador da minha própria estória. Sentei em frente ao computador e comecei a despejar uma porção de ideias que surgiam e assim ia escrevendo e apagando, apagando e escrevendo. Depois, ela veio inteira!
Foi fácil, o difícil é que depois de entregar o texto... algum tempo depois, veio a surpresa: dirigir o próprio texto! 'Paft'... foi um baque. Vinha a mistura de desejo com medo, com frio na barriga, com insegurança e sei lá mais o que. Agora seria eu o criticado, o alvo daquilo que eu estou acostumado a fazer, além disso, a tarefa de alta responsabilidade, a de arquitetar um espetáculo. De transformar pessoas em personagens, de dar olhos e respiração ao texto de um autor. Peraí, o autor era eu mesmo!
Foto: Reprodução de Internet
Tive que esquecer quem era o autor... distanciá-lo de um oceano a outro e reler o texto como se fosse uma primeira impressão. Uma primeira paixão! Admirar o autor, como se eu fosse um narcisista, como se ele fosse alguém que eu tivesse verdadeira adoração. Como se eu o conhecesse ali, só pelas palavras.
Depois ainda tive que escolher as primeiras atrizes, realizar a primeira leitura daquele texto, lembrar que terei que disputar a ânsia da direção com a inibição de ver os meus colegas em outros espetáculos. Não dá pra criticar enquanto estiver em cartaz, não da pra viver entre dois mundos ao mesmo tempo. Durante um período, abdicarei das críticas de teatro, apenas as de teatro, continuarei falando sobre música neste espaço... mas, sobre teatro, contarei sempre sobre essa magia de dirigir e de compartilhar vidas num palco.
Por enquanto, é só isso que eu posso dizer. Logo logo coloco imagens, conto sobre o texto, o nome, a produção, os atores e os apoiadores e patrocinadores. Aliás, é disso que precisamos... de gente que apoie a arte! Em breve vocês me verão para além dessa página, poderão ver minhas palavras no teatro. Dessa vez, vocês serão os críticos. Já temos data fechada e tudo, mas eu conto mais na próxima!
Merda, pra nós!